A IRA

Bem o sabeis, meus amados irmãos: cada um seja pronto para ouvir, lento para falar e lento para se irar, pois uma pessoa irada não faz o que é justo aos olhos de Deus. Rejeitai, pois, toda a imundície e todo o vestígio de malícia e recebei com mansidão a Palavra em vós semeada, a qual pode salvar as vossas almas.” (Tiago 1,19ss)

De fato, minha ira não “faz” o bem que supostamente quero; “o que é justo aos olhos de Deus”. E por “ira” não estou me referindo aos sentimentos de irritação, dor e vulnerabilidade. Estes precisam ser reconhecidos, enfrentados e curados na luz e na mansidão “da Palavra em mim semeada”, ao invés da fuga através da ira ou “substituto”.

A ira é chamada de “substituto da emoção”, porque me permite, com a ilusão de controle e de superioridade, mascarar minha dor e vulnerabilidade; isso distrai-me das “reais” questões do medo e/ou ressentimento, que têm de ser, e de fato podem ser, curadas em mim – mas não por mim e certamente não por minha ira humana, não obstante eu expresse-a ou oculte-a (tanto agindo com ira ou com apatia quanto interiorizada em depressão ou autossabotagem). Esta cura leva tempo, é preciso ir mais devagar – ser “pronto para ouvir, lento para falar”, enquanto observo meus medos e ressentimentos e entrego-os a Deus e Sua graça do perdão.

Hoje vou ser “pronto para ouvir” o que a voz do Senhor tem a dizer-me através de minhas irritações e dores. E vou colocar de lado minhas próprias interpretações dessas coisas, alimentadas por ressentimento ou medo, e “receber com mansidão a Palavra em mim semeada, a qual pode salvar”, para avançar em direção à plenitude e unidade, em mim mesmo e com os outros. Senhor, que eu veja a Sua luz hoje, abraçando Sua graça e Seu poder, ao invés de fugir para as ilusões sedutoras e criadoras de divisão da ira.

Versão brasileira: João Antunes

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