
“[Jesus] Começou, depois, a ensinar-lhes que o Filho do Homem tinha de sofrer muito e ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e pelos doutores da Lei, e ser morto e ressuscitar depois de três dias. E dizia claramente estas coisas. Pedro, desviando-se com Ele um pouco, começou a repreendê-lo. Mas Jesus, voltando-se e olhando para os discípulos, repreendeu Pedro, dizendo-lhe: ‘Vai-te da minha frente, Satanás, porque os teus pensamentos não são os de Deus, mas os dos homens’. Chamando a si a multidão, juntamente com os discípulos, disse-lhes: ‘Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Na verdade, quem quiser salvar a sua vida, há-de perdê-la; mas, quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, há-de salvá-la’.” (Marcos 8,31-35)
Nosso Senhor repreende Pedro por fixar “seus pensamentos” não nas coisas “de Deus, mas nas dos homens”. E por “coisas de Deus”, Ele Se refere à Cruz. Enquanto Pedro quis que Jesus fizesse as coisas “dos homens”, para “salvar” Sua vida, o Senhor havia fixado sua mente em dá-la, perdendo-a.
De fato, hoje eu sou chamado a “perder-me” na doação de mim mesmo, porque este é o caminho que Ele me mostra; é a maneira intrigante da Cruz, que não faz muito sentido, à primeira vista. É através da autodoação e perda que eu encontro, recebo, e salvo. Eu “salvo” ou “torno plena” a minha existência, meu ser, por sair do meu “eu” e sua escravidão, conectando-me com Deus e os outros em autodoação. Não é na carência ou expectativas dos outros que me realizo, não. Na verdade, esse caminho, de carência e expectativas, me traz frustração e decepção. Então vou fixar minha mente nas “coisas de Deus” que eu possa encontrar hoje e perder-me a mim mesmo. Porque “quem perder a sua vida por minha causa e do Evangelho”, meu Senhor me promete, “há-de salvá-la”.
Versão brasileira: João Antunes
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