CRISTO versus CONSUMISMO

‘… o pão que Eu hei-de dar é a minha carne, pela vida do mundo’. Então, os judeus, exaltados, puseram-se a discutir entre si, dizendo: ‘Como pode Ele dar-nos a sua carne a comer?!’. Disse-lhes Jesus: ‘Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes mesmo a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e Eu hei-de ressuscitá-lo no último dia’.” (João,51b-54)

Hoje todos nós compreendemos que aqui o Senhor está falando sobre o sacramento da Santa Comunhão; de comer e beber o Pão e o Vinho consagrados que, de acordo com Sua palavra, são Seu Corpo e Sangue. Mas a multidão que O estava ouvindo nesse ponto de João 6, que é muito anterior à Última Ceia/Ceia Mística, não tem ideia do que Ele está falando. Para eles, isso é um absurdo. E, à primeira vista, isso continua sendo um absurdo. Por que nosso Senhor escolheria essa forma de se oferecer “pela vida do mundo”? Quero dizer, por que Ele nos ordena a “tomar e comer” e “beber” — Sua carne e Seu sangue, para que nós e o mundo tenhamos vida eterna? Para que paremos de “consumir” uns aos outros e ao nosso mundo, de maneiras que são destrutivas para nós e para o mundo. Porque costumamos buscar os benefícios materiais, físicos, uns dos outros e do nosso mundo, como se eles fossem a essência e o fim de todos os nossos desejos e necessidades.

A multidão na passagem citada acima tinha acabado de ser alimentada no milagre da multiplicação dos pães (no início de João 6) e agora estava interessada em conseguir “mais”. Eles, como nós, procuravam obter benefícios materiais uns dos outros e também d’Ele. Mas Jesus estava decepcionando-os, ou melhor, ofendendo-os e escandalizando-os, com essa conversa de que Ele, na carne, era o “pão da vida”, que Ele traz para que paremos de destruir a nós mesmos e ao nosso mundo, que não foram criados para preencher aquele vazio em nosso coração que só pode ser preenchido por Deus. Ele pode ser e é preenchido espiritual e sacramentalmente, pelo Pão e pelo Vinho que Seu Espírito nos dá, Seu Corpo e Sangue, Sua presença em nós e entre nós. Portanto, vou direcionar minha fome e sede por “mais” a Ele, para que eu não a direcione erroneamente para as pessoas, lugares e coisas errados, que nunca poderão preencher o vazio em meu coração que me leva ao consumismo destrutivo e autodestrutivo, aos vícios e à co-dependência. Senhor, “o pão nosso de cada dia dá-nos hoje” e perdoa-nos por buscá-lo nos lugares incorretos e de maneiras erradas. Amén!

Versão brasileira: João Antunes

© 2023, Ir. Vassa Larin
www.coffeewithsistervassa.com