
Pentecostes, ou o 50º dia após a ressurreição de Nosso Senhor, é o dia em que o Espírito Santo escolheu para descer sobre os Apóstolos, e os homens e mulheres reunidos com eles no cenáculo, o mesmo cenáculo em que Nosso Senhor celebrou a Última Ceia ou Ceia Mística com eles. No Antigo Testamento, foi também no 50º dia após a primeira Páscoa que Deus escolheu para entregar os dez mandamentos a Moisés no Monte Sinai. O povo judeu na época dos apóstolos celebrava o Pentecostes também como a Festa das Primícias da “colheita” da primavera, quando as pessoas traziam como oferta a Deus o “trigo novo”, juntamente com a relva recém-colhida, ramos floridos de árvores e flores, decorando suas casas com eles. Essa é uma das razões pelas quais também decoramos nossas igrejas nesse dia com ramos de árvores, relva e flores, porque o “cenáculo” no qual o Espírito Santo desceu sobre a Igreja Primitiva provavelmente estava decorado dessa mesma forma.
Pentecostes também é o Dia Um, porque é em um domingo, o primeiro dia da semana de acordo com a contagem judaica e grega. O significado cristão de qualquer domingo inclui o aspecto pneumatológico (que envolve o Espírito Santo) do Dia Um da criação, quando “o espírito de Deus movia-se sobre a superfície das águas” (Gênesis 1,2b) e Deus falou pela primeira vez em nosso mundo, dizendo: “Faça-se a luz”. Nesse mesmo Dia Um da semana, em um domingo, a “nova luz” incriada da ressurreição de Nosso Senhor brilhou do Sepulcro e, cinquenta dias depois disso, o Espírito de Deus Se moveu não apenas sobre a água, mas sobre os seres humanos que receberam Suas energias divinas no cenáculo. Essas energias divinas, chamadas graça, não foram transmitidas em tábuas de pedra como as que Moisés recebeu, mas na forma de fogo, línguas “à maneira de fogo” (Atos 2,3), que nos concederam o dom de falar não apenas em nossa própria língua e não apenas de acordo com o nosso próprio entendimento, mas nas línguas de outras pessoas e na sabedoria de Deus.
Por todos esses motivos, o domingo ficou conhecido como o Dia do Senhor, o dia em que os cristãos se reúnem para celebrar a Ceia do Senhor. Ao nos reunirmos hoje para a Divina Liturgia, orando para que Deus envie Seu Espírito Santo “sobre nós e sobre os dons” que oferecemos, o pão e o vinho, eu digo: Graças Te dou, Deus, pelo primeiro dia de nossa salvação. E pelo 50º dia de nossa salvação. E por todos os dias em que o Senhor concede que “faça-se a luz” em nossas vidas, sempre que escolhemos entrar nela. “Este é o dia da vitória do SENHOR: cantemos e alegremo-nos nele!” (Salmo 118,24). Feliz Pentecostes, queridos amigos!
Versão brasileira: João Antunes
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