OS POBRES EM ESPÍRITO, PELO ESPÍRITO

Felizes os pobres em espírito (τῷ πνεύματι, духом), porque deles é o Reino do Céu.” (Mateus 5,3)

Em português, lemos essa bem-aventurança como “Felizes (ou Bem-aventurados) os pobres em espírito”, enquanto o grego “τῷ πνεύματι”, e “духом” em eslavo, também significa “pelo” espírito. Somos bem-aventurados, somos felizes, quando nos permitimos ser “pobres”, ou pelo “não ter” de certas maneiras, em ou pelo “espírito”. O espírito de quem? O nosso próprio espírito, em sintonia com o Espírito de Deus. Todos nós “temos” certas coisas, habilidades, empregos, moradias e pessoas em nossa vida, mas “não temos” mais ou melhores coisas, habilidades, moradias e pessoas. De certa forma, precisamos almejar mais ou melhores coisas, habilidades, empregos, moradias ou pessoas, dependendo de nossa vocação, daquilo que o Espírito de Deus está nos orientando a fazer e ser. Mas nossa vocação dada por Deus também envolve o “não” ter mais ou talvez nada disso ou daquilo, ser “pobre” em certos aspectos. Não podemos ser bem-aventurados, ou felizes, nem podemos entrar no reino dos céus, se buscarmos “ter” mais ou melhor, ou algo mais, do que precisamos. Na fé e pela fé, nosso espírito se torna bem-aventurado quando buscamos diariamente fazer a vontade d’Ele e “limpar a casa”, nossa casa espiritual, dos desejos e ambições que nos conduzem para fora de nossa “morada” exclusiva no reino de Deus. “Não se perturbe o vosso coração”, diz-nos o Senhor. “Credes em Deus; crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, como teria dito Eu que vos vou preparar um lugar?” (João 14,1s). Portanto, não tenhamos medo de ser “pobres” na maneira que devemos ser, porque Deus está abençoando cada um de nós hoje não apenas com o que temos, mas também com o que não temos.

Versão brasileira: João Antunes

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