
“Chegaram a Betsaida e trouxeram-lhe um cego, pedindo-lhe que o tocasse. Jesus tomou-o pela mão e conduziu-o para fora da aldeia. Deitou-lhe saliva nos olhos, impôs-lhe as mãos e perguntou: ‘Vês alguma coisa?’. Ele ergueu os olhos e respondeu: ‘Vejo os homens; vejo-os como árvores a andar’. Em seguida, Jesus impôs-lhe outra vez as mãos sobre os olhos e ele viu perfeitamente; ficou restabelecido e distinguia tudo com nitidez. Jesus mandou-o para casa, dizendo: ‘Nem sequer entres na aldeia’.” (Marcos 8,22-26)
Por que Nosso Senhor conduz o cego para fora da aldeia e para longe de seus amigos que o trouxeram a Cristo? Um dos motivos, creio eu, é que o cego precisava ficar a sós com o Senhor para ser curado. Ele precisava se entregar a esse Desconhecido, que o pegou pela mão e o levou não se sabe para onde, a fim de enxergar.
Não é isso que Deus faz com todos nós, de vez em quando, quando nos afasta de nossas ocupações habituais ou de nossa comunidade; quando ficamos doentes e precisamos ficar de cama; quando perdemos um amigo querido; quando de repente sentimos nossa solitude? Será que às vezes nos vemos sozinhos no deserto, mesmo em meio a uma multidão? Acho que é como se Israel tivesse sido levado a vagar pelo deserto, para que Deus pudesse “falar ao seu coração” e Se dar a conhecer a ele, o que foi um processo gradual.
Se Deus me fizer sentir minha solitude hoje, que eu me entregue à Sua vontade para mim, para que eu possa ver e confiar mais em Sua companhia. Não é hora de lamentar a solidão; é hora de ser restaurado na solitude. A “solidão” não vem de Deus, enquanto a solitude sim. Com o tempo, no tempo de Deus, voltarei “para a aldeia” e serei mais útil lá, como uma pessoa que vê. Em vez de perder tempo lamentando a solidão ou buscando companhia onde ela não está disponível, que eu receba qualquer tempo sozinho com Deus como uma oportunidade de despertar para Sua presença em minha vida; de ser “restabelecido e distinguir tudo com nitidez”.
Versão brasileira: João Antunes
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