
«“Em certa cidade, havia um juiz que não temia a Deus nem respeitava os homens. Naquela cidade vivia também uma viúva que ia ter com ele e lhe dizia: ‘Faz-me justiça contra o meu adversário’. Durante muito tempo, o juiz recusou-se a atendê-la; mas, um dia, disse consigo: ‘Embora eu não tema a Deus nem respeite os homens, contudo, já que esta viúva me incomoda, vou fazer-lhe justiça, para que me deixe de vez e não volte a importunar-me’.” E o Senhor continuou: “Reparai no que diz este juiz iníquo. E Deus não fará justiça aos seus eleitos, que a Ele clamam dia e noite, e há-de fazê-los esperar? Eu vos digo que lhes vai fazer justiça prontamente. Mas, quando o Filho do Homem voltar, encontrará a fé sobre a terra?”» (Lucas 18,2-8)
A viúva daquela cidade, que suplicava por justiça a um juiz injusto que “não temia a Deus e nem respeitava os homens”, faz-me recordar das cidades que hoje clamam por justiça, como Kyiv, Kharkiv e Minneapolis. Será que os juízes injustos de hoje, que diariamente nos lembram que também não temem a Deus e nem respeitam o ser humano, seja no chamado Departamento de Justiça, seja na Casa Branca, podem ser constrangidos, por meio de clamores persistentes, a fazer justiça a essas cidades manchadas de sangue? É muito difícil acreditar que isso seja possível, diante de uma realidade orwelliana que hoje parece mais forte do que o clamor das viúvas. Pelo menos, é assim que parece.
Mas escutemos, queridos amigos, o que o nosso Senhor nos diz na leitura do Evangelho de hoje. Ele nos diz que Deus “fará justiça aos seus eleitos, que a Ele clamam dia e noite” e que “lhes vai fazer justiça prontamente”. Essa é a nossa realidade. Em seguida, porém, o Senhor nos desafia com uma pergunta: “Mas, quando o Filho do Homem voltar, encontrará a fé sobre a terra?”. Temos nós a fé da viúva perseverante, que volta continuamente a pedir justiça diante de um juiz injusto, como fazem aqueles de vocês que se unem aos milhares de manifestantes nas cidades estadunidenses? Temos a fé de nossos irmãos e irmãs heroicos na Ucrânia, que continuam a resistir à agressão da ditadura de Putin, enquanto enfrentam este inverno rigoroso? E nós, que vivemos longe dessas cidades, temos a fé de elevar persistentemente nossas orações por eles?
Respondamos a isso, caros leitores, com um sonoro sim. Não é tempo de desânimo e nem de perder a fé. É tempo de resistir à realidade orwelliana e renovar nossa fé na realidade de Deus, à medida que nos aproximamos do início do Triódio da Quaresma em nossas Igrejas Ortodoxas neste fim de semana, que chama nossa atenção para o poder da oração humilde e simples. Ele nos conduz à Parábola do Fariseu e do Publicano, que vão ao templo para rezar. O “publicano”, ou cobrador de impostos, não tem muito a oferecer a Deus, mas se dispõe, comparece e reza como pode. Façamos o mesmo, não apenas por nós, mas uns pelos outros, e façamos o que estiver ao nosso alcance, se estivermos nos Estados Unidos, participemos de alguma manifestação e deixemos que nossas ruas se tornem templos para vozes cristãs que clamam por justiça.
Senhor, tem piedade de mim, pecador!
Senhor, ouve a nossa oração!
Versão brasileira: João Antunes
© 2026, Ir. Vassa Larin
www.coffeewithsistervassa.com
