
Hoje é a festa da jovem Virgem Mártir de 15 anos, Santa Águeda de Catânia, na Sicília, uma das santas mais veneradas da Antiguidade cristã. Martirizada no ano 251 por se recusar a casar com o governador pagão local, Santa Águeda tornou-se padroeira das mulheres vítimas de estupro e de outras violências. Ela também é padroeira de muitos outros, incluindo pacientes com câncer de mama, vítimas de incêndios e sineiros, porque os sinos têm formato semelhante ao dos seios, e parte da violência sexual que Santa Águeda sofreu incluiu o fato de seus torturadores terem amputado seus seios.
Atualmente, em Catânia, realiza-se um grande Festival de Santa Águeda que dura de 30 de janeiro a 12 de fevereiro, sendo os três dias principais de 3 a 5 de fevereiro, atraindo centenas de milhares de pessoas todos os anos. Esse festival inclui procissões com as relíquias de Santa Águeda pelas ruas da cidade, missas especiais em memória das mulheres vítimas de violência, das forças armadas e de religiosos e religiosas.
A história de Santa Águeda, nascida em 236, filha de pais cristãos ricos em Catânia, é marcada por sua resistência às investidas do poderoso governador local, o pagão Quinciano, que acreditava poder forçá-la a se casar com ele. Depois de rejeitá-lo repetidamente, porque, segundo um relato do século XIII sobre sua vida, havia feito voto de virgindade, Quinciano mandou levá-la diante dele como cristã, em meio às brutais perseguições do imperador Décio.
Primeiro, Quinciano tentou ameaçar Águeda com torturas por não oferecer incenso aos deuses e pelo bem-estar do imperador, ao mesmo tempo em que a elogiava por sua beleza e prometia mais riqueza e status se se tornasse sua esposa. Como nenhuma dessas investidas funcionou, ele mandou prendê-la em um bordel administrado por uma mulher chamada Afrodísia, que, junto com suas filhas, deveria seduzi-la a mudar de ideia, vestindo-a com roupas provocantes, oferecendo-lhe vinho e exaltando sua beleza e a desejabilidade de Quinciano.
Como tudo isso falhou, Águeda foi levada de volta a Quinciano, furioso, que mandou despir a jovem e submetê-la a diversas torturas, incluindo a amputação de seus seios, enquanto assistia. Depois disso, Santa Águeda foi lançada em uma cela, onde continuou a rezar, e o apóstolo Pedro lhe apareceu, curando todas as suas feridas. Quinciano então a condenou à fogueira, mas um terremoto interrompeu a execução, e Santa Águeda morreu em sua cela.
Todas as chamadas “virgens mártires” daqueles primeiros séculos nos lembram, por um lado, de como a Igreja valoriza o não-conformismo e a desobediência às autoridades masculinas predatórias dessas mulheres cristãs, que representam a resistência da Igreja à violência contra o “feminino” que é a Mãe-Igreja. Por outro lado, somos lembrados de que homens ricos e poderosos que cometem crimes sexuais contra mulheres, inclusive menores de idade, são inequivocamente condenados na memória da Igreja.
Pode ser oportuno refletir sobre isso hoje, em meio ao escândalo contínuo dos arquivos de Epstein, que alguns cristãos são tentados a minimizar por lealdade política a homens ricos e poderosos expostos neles, ignorando as vítimas femininas vulneráveis traficadas para satisfazê-los, muitas vezes vindas de países “ortodoxos”, como Rússia, Ucrânia e outros do Leste Europeu.
Também a contínua tragédia da destruição e das torturas promovidas por Putin contra ucranianos, mulheres e homens, que resistem às suas investidas genocidas por não quererem se submeter à sua autoridade opressiva, pode nos lembrar da recusa de Santa Águeda diante das investidas de Quinciano.
Por suas orações, Senhor, ajuda-nos a discernir o certo do errado, as vítimas dos agressores, e a resistir às autoridades predatórias, pela Tua graça.
Versão brasileira: João Antunes
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