“Então, Pedro tomou a palavra e disse: ‘Em verdade, reconheço que Deus não faz distinção de pessoas, mas em toda nação lhe é agradável aquele que o temer e fizer o que é justo’.” (Atos dos Apóstolos 10,34s)
São Pedro diz isto na casa de certo Cornélio, um gentio e um centurião da “coorte que se chamava Itálica” do exército romano, a quem Pedro é enviado a pregar, e a quem Pedro acara por batizar, com toda a família de Cornélio em Cesareia. A missão a Cornélio é uma surpresa para São Pedro nesta altura, porque ele ainda não tinha saído de sua “zona de conforto”, com base na tradição judaica de sua educação, que via os gentios como uma fonte de impureza ritual.
Parece-me bastante notável, a ruptura que São Pedro está disposto a fazer com uma longa tradição de sua educação, em obediência à voz de Deus na sua vida. Ele é “obediente”, ou “escuta”, não à “distinção” que fazia realmente parte de sua identidade e de quem ele era, até este momento, como produto da sua educação. Ele mudou, de acordo com a vontade de Deus, e o chamamento de Deus, para ele. E fê-lo, apesar das críticas e mesmo do escândalo que isso certamente iria gerar em Jerusalém, de irmãos e irmãs queridos, de pais e mães do seu próprio povo. Não lhe tinha sido ensinado que “aquele” que teme a Deus e faz o que é agradável a Ele é “agradável” para Ele. Mas aqui ele está aceitando Cornélio e sua casa. Porque na nova era, inaugurada por Nosso Senhor Jesus Cristo, na era da Igreja, não há plataforma de herança étnica ou religiosa da qual se deva partir, ou escalar, para “qualificar-se” para as bênçãos salvíficas de Deus ou do Reino.
Senhor, que eu não exclua ninguém hoje, incluindo eu próprio, de “qualificar-se” para pertencer ao Senhor. “Qualquer” um de nós, que teme uma desconexão conTigo e faz o que é correto, de acordo com as nossas capacidades limitadas e da forma que conhecemos de acordo com a nossa cultura e a nossa bagagem, é “agradável” para Ti, como um dos Teus. Portanto, que eu não imagine obstáculos a Deus que não existem, nem para mim nem para os outros, por muito “desagradáveis” que possamos parecer aos outros, devido à nossa “diversidade” ou nossas peculiaridades, que podem não caber em nenhuma caixa tradicional. Que todos venhamos, e sejamos de Deus, e voltemos a conectar-nos a Ele esta manhã em oração sincera, porque todos somos “agradáveis” a Ele nas nossas diferentes formas de nos esforçarmos por Ele e perante Ele. Graças Te dou, Deus, por serdes esse Caminho.
Versão brasileira: João Antunes
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