“Ave, Esposa inesposada! / Χαίρε, Νύμφη Α-νύμφευτε. / Радуйся, Невесто не-невестная”. (Akathistos da Theotokos)
Neste Akathistos, louvamos a Theotokos não só por quem/o que ela “é” e “tem”, mas também pelo que ela “não é”, ou seja, “esposada”, e pelo que ela “não tem”, um cônjuge ou noivo. Assim, louvamo-la como “Α-νύμφευτε”, ou “sem noivo” [cônjuge].
Será isto motivo de celebração, o fato da Theotokos não ter “nenhum noivo” [cônjuge], no sentido habitual, em sua vocação específica, de trazer Nosso Senhor ao mundo? Aparentemente sim, uma vez que este fato particular é louvado repetidamente no refrão do Akathistos
Era difícil estar sozinha, como único progenitor (humano) para seu Filho. O seu “noivo” [cônjuge], o Justo José, certamente auxiliou ao longo do caminho, mas ele não era um “progenitor” como ela era. E ela nem sequer tinha “relacionamento” suficiente com ele para lhe confiar a boa nova da Anunciação, que lhe foi revelada não por ela, mas através de um sonho (Mateus 1,19s). Ela tinha um auxiliar, é o que estou apontando, mas não um esposo, em quem podia confiar e compartilhar todo o peso de sua vocação.
Assim, à qualquer pessoa por aí, que seja “inesposada” [sem cônjuge] em suas vocações, em suas vocações para trazer Cristo ao nosso mundo: Sejamos hoje gratos, e encorajados, por qualquer “auxiliar” que Deus nos envie, mesmo que não estejam “coparticipando” de nossas vocações da forma que possamos precisar ou esperar. Que todos nós, solteiros, divorciados ou casados mas solitários, nos inspiremos na Theotokos, que alegrou-se e alegra-se em sua difícil vocação de trazer Nova Vida ao nosso mundo fragmentado, apesar de suas realidades por vezes não convencionais de parceria “conjugal”. E uma feliz Festa da Proteção da Theotokos, para aqueles que seguem o Calendário Juliano Tradicional!
Versão brasileira: João Antunes
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