“Eu vejo um maravilhoso e mais glorioso (paradoxal, παράδοξον) mistério: a gruta – é um céu; a Virgem – o Trono dos querubins; a manjedoura – o lugar onde o incompreensível Cristo-Deus nasceu; exaltemo-lo, cantando-lhe louvores.” (Cânon do Natal)
É “para-doxal”, ou “contrário ao que seria de se esperar” (e não “mais glorioso” ou “преславное”, como é normalmente traduzido), considerando a magnitude do Evento que celebramos hoje, — o cenário indigno em que aconteceu. Tendemos a esperar que o Filho Unigênito de Deus nos faça Sua primeira aparição na carne com muito mais pompa e circunstância. Tal como esperamos que as exterioridades de nossas próprias celebrações de Natal sejam “mais” do que são, neste ano de uma pandemia global.
Mas Deus revela-Se de formas que nós não esperamos, é sobre o que estou refletindo. Ele fê-lo naquela altura, e Ele fá-lo agora, “entre os homens de boa vontade”. Que Ele entre em minha vida hoje, não como eu poderia esperar, mas como Ele o faz, quando O “exalto, cantando” em vez de O diminuir com os meus “e se”. “Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens de boa vontade” (Lucas 2,14).
Versão brasileira: João Antunes
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