
“Junto aos rios da Babilônia nos sentamos a chorar, recordando-nos de Sião. Nos salgueiros das suas margens penduramos as nossas harpas. Os que nos levaram para ali cativos pediam-nos um cântico; e os nossos opressores, uma canção de alegria: ‘Cantai-nos um cântico de Sião’. Como poderíamos nós cantar um cântico do SENHOR, estando numa terra estranha? Se me esquecer de ti, Jerusalém, fique ressequida a minha mão direita!” (Salmo 136/137,1-5)
Este Salmo, que expressa a tristeza do povo judeu no exílio após a conquista babilônica de Jerusalém em 607 a.C., é cantado nas matinas bizantinas nos três domingos anteriores à Quaresma. Ela nos prepara para o “exílio” voluntário da Quaresma, durante o qual nos concentramos de maneira especial na tristeza e na saudade da humanidade após o “exílio” de Adão do paraíso, e antes da vinda de Jesus Cristo. Nos dias da Quaresma, por exemplo, “nos abstemos” de celebrar o festivo ofício da Divina Liturgia, e assim “penduramos as nossas harpas” durante a maior parte da semana.
Hoje não hesito em reconhecer minha tristeza humana, meu desejo de “voltar para casa”, para a terra de meu Pai, de perfeita harmonia, paz e unidade. Que eu não me deixe cair em autoconfiança e iludida autossuficiência, que é o beijo da morte ao crescimento espiritual e à sede. Hoje vou “recordar-me” da Jerusalém celeste, da qual me distanciei, uma e outra vez, em meio às minhas responsabilidades e relacionamentos. Não preciso encobrir isto com “cânticos” e “alegria”, mas sim dedicar algum tempo para “sentar”, para “chorar” e para “recordar-me de Sião”.
Versão brasileira: João Antunes
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