
Muitos de nós podem se perguntar, especialmente, mas não apenas, quando chegarmos à idade de nos aposentar: Que havemos nós de fazer? Existe algum trabalho para nós que seja realmente importante? E podemos duvidar que nós ou nosso trabalho possam ser úteis ou necessários para alguém, se tivermos a tendência de cair nesse tipo de pensamento negativo. Essa é a pergunta que as pessoas fazem ao Senhor na leitura do Evangelho de hoje: “Que havemos nós de fazer para realizar as obras de Deus?” (João 6,28). E Ele responde: “A obra de Deus é esta: crer naquele que Ele enviou”. Não é uma resposta muito útil, na mente deles e talvez em nossas mentes, porque “crer n’Aquele que Deus enviou” não é o tipo de coisa que costumamos considerar como “obra”. Podemos pensar que Deus precisa obrar algo especial para nós, talvez algum trabalho ou função especial, para que sejamos levados a agir. É por isso que as pessoas ainda perguntam, nesta leitura: “Que sinal realizas Tu, então, para nós vermos e crermos em ti? Que obra realizas Tu? Os nossos pais comeram o maná no deserto, conforme está escrito: ‘Ele deu-lhes a comer o pão vindo do Céu’”. Então Jesus lhes disse: “Em verdade, em verdade vos digo: Não foi Moisés que vos deu o pão do Céu, mas é o meu Pai quem vos dá o verdadeiro pão do Céu, pois o pão de Deus é aquele que desce do Céu e dá a vida ao mundo”. Mas isso é útil para nós, em termos práticos? Sim, porque significa que já temos o que e de Quem precisamos para começar a “trabalhar”; para o tipo de “obra” que o Senhor indicou acima. Podemos e precisamos urgentemente nutrir nossa fé n’Ele, porque a fé ou a confiança n’Ele exige trabalho. Assim como qualquer relacionamento exige trabalho, dia a dia e até de hora em hora. O tempo que nos é dado, que pode parecer uma superabundância de tempo, se estivermos aposentados ou desempregados, não é uma trava, mas uma chave para nosso crescimento. É uma dádiva a ser usada para nosso crescimento em serviço e dignidade no reino de Deus, como “redentores do tempo”.
Vou aproveitar essa preciosa dádiva ao iniciar esta terça-feira, em uma bela manhã do início de maio, e me dedicar a uma oração sincera, a uma saudável “leitura leve” (do tipo que me traz luz) e também a alguns minutos tranquilos de contemplação. E Deus me mostrará, à medida que eu permitir que Sua presença renovadora cure minha perspectiva sobre as coisas, o que fazer em seguida. O tempo é um amigo, não um inimigo, meus amigos e inimigos, portanto, não o desperdicemos com medos egocêntricos ou solidão, e digamos (nas palavras de um versículo do Salmo da Primeira Hora): “Venham sobre nós as graças do Senhor, nosso Deus! Confirma em nosso favor a obra das nossas mãos; faz prosperar a obra das nossas mãos” (Salmo 89/90,17).
Versão brasileira: João Antunes
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