NUNCA É APENAS UMA SIMPLES TERÇA-FEIRA

É terça-feira! E nesta manhã sou grato por esse fato extraordinário. Porque nunca é apenas uma simples terça-feira, se eu decido prestar atenção a todos os significados inspiradores de fé desse dia da semana que me são oferecidos, tradicionalmente, por meio do nosso idioma, das Sagradas Escrituras e de outros aspectos da tradição da Igreja.

A terça-feira recebeu o nome, em inglês, do deus germânico da guerra Tiw (que equipara-se ao deus romano Marte, razão pela qual a terça-feira recebe o nome de Marte nas línguas românicas, por exemplo, Mardi em francês, Martes em espanhol, martedì em italiano, etc.), e esse fato me recorda de não endeusar a guerra como se ela não viesse de nós mesmos, mas de alguma divindade que exige esse sacrifício sangrento. Em vez disso, acolho o significado bíblico da terça-feira, que é o Terceiro Dia (Triti em grego, terça-feira em português e yom shlishi em hebraico), e recordo que no Terceiro Dia Deus “abençoou duplamente” Sua criação, dizendo “é bom” não uma, mas duas vezes (Gênesis 1,10b.12b). É por isso que, no folclore judaico, as terças-feiras são consideradas de boa fortuna ou “duplamente abençoadas”. Na tradição da Igreja Ortodoxa, a terça-feira também é o dia de São João Batista, por isso trago e coloco na estante ao lado da minha mesa um ícone do precursor do Senhor e rezo um pouco por sua intercessão ao longo do meu dia. Ele é um exemplo para nós de um tipo muito diferente de “força” ou “violência” em comparação com Tiw na mitologia germânica: São João Batista, não é uma divindade, mas um servo do Deus vivo, é aquele a respeito de quem Cristo disse: “Que fostes ver ao deserto? Uma cana agitada pelo vento? Então que fostes ver? Um homem vestido de roupas luxuosas? Mas aqueles que usam roupas luxuosas encontram-se nos palácios dos reis… Desde o tempo de João Batista até agora, o Reino do Céu tem sido objeto de violência e os violentos apoderam-se dele à força” (Mateus 11,7s.12). São João Batista é o exemplo de uma “violência” que é uma decisão decidida e inequívoca de escolher a verdade em vez da falsidade, o bem em vez do mal e o reino dos céus em vez do(s) reino(s) dos homens. Essa “violência” divina não é assassina ou destrutiva; não é infligida a seres humanos ou a quaisquer reinos deste mundo. É uma “violência” ou força e determinação pela qual somos chamados a “apoderarmo-nos” do reino dos céus.

Posso partilhar pelo menos alguns desses significados hoje, preenchendo minha terça-feira com eles, direcionando minha vida para eles, e não principalmente e em primeiro lugar, para os significados que muitas vezes inspiram medo de qualquer coisa que esteja acontecendo no nosso ciclo de notícias de hoje. “Santo e grande João, Precursor do Senhor, rogai a Deus por nós hoje!”.

Versão brasileira: João Antunes

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