
Nesta quarta-feira, na Festa de Mesopentecostes (Mesopentikosti, Prepolovenie), que fica no ponto médio entre a Páscoa e o Pentecostes, o tema principal é a “água viva” e a sede espiritual. A maioria de nós voltou à rotina depois da “alta temporada” da Quaresma e da Páscoa, quando estivemos mais atentos à oração e à nossa saúde espiritual. Portanto, agora nos recordamos de despertar para a nossa sede espiritual, que talvez tenhamos negligenciado, como cantamos no Tropário de Mesopentecostes: “No meio da Festa, sacia a minha alma sedenta nas torrentes da piedade (eusevias, blagochestiya)!”.
A leitura do Evangelho para Mesopentecostes é a de João 7, onde Cristo vai a Jerusalém e ensina no Templo “indo a festa a meio”, mas não é no tempo do Pentecostes. É no tempo de outra festa, a Festa de Sucot (dos Tabernáculos ou das Tendas), que ocorre no outono e não na primavera. Por que, então, fazer essa leitura em nossa Festa de Mesopentecostes? A Festa de Sucot é mais apropriada ao tema principal da nossa Festa de Mesopentecostes, porque a festa de sete dias de Sucot envolvia uma cerimônia de libação muito alegre ou “O Verter da Água” (Nisuch Ha-Hayim), que era tirada da piscina de Siloé e levada ao Templo durante todas as manhãs da festa. Nosso Senhor usa essa ocasião para falar sobre Sua “água viva”, no último dia da festa que durava uma semana: “Se alguém tem sede, venha a mim; e quem crê em mim que sacie a sua sede! Como diz a Escritura, hão-de correr do seu coração rios de água viva” (João 7,37s). E, em seguida, o evangelista João explica: “Ora Ele disse isto, referindo-se ao Espírito que iam receber os que nele acreditassem; com efeito, ainda não tinham o Espírito, porque Jesus ainda não tinha sido glorificado”.
Que promessa magnífica! Nesta manhã, podemos ser uma dessas pessoas, de cujo coração “hão-de correr rios de água viva”. Só precisamos vir e beber de Sua graça, que se derrama abundantemente sobre nós, quando abrimos nosso coração para a comunhão com Ele, fortalecendo nossa fé n’Ele em vez de permanecermos em nossos próprios pensamentos ou medos egocêntricos. Vale a pena, valemos a pena, sermos vasos de Sua graça ao longo de nosso dia, em vez de espalharmos tristeza e morbidez, como podemos nos tornar quando nos concentramos apenas em nossas próprias vozes ou nas vozes de nossa própria cabeça. “Vinde, bebamos uma bebida nova, não miraculosamente tirada de uma pedra, mas que brota do túmulo de Cristo, em Quem está nossa força” (Cânone Pascal, Irmos 3).
Versão brasileira: João Antunes
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