
A leitura do Evangelho de hoje (João 7,14-30), inclui o diálogo de Nosso Senhor com aqueles judeus religiosos, Seu próprio povo, que procuravam matá-l’O porque Ele estava infringindo as regras deles sobre o sábado. Cristo havia curado o homem na piscina de Betesda no sábado, e depois fez com que o homem se levantasse, tomasse seu leito e andasse. Essa cura escandalizou as autoridades religiosas da época, por isso foi divisora. Isso até levou as autoridades religiosas, como mencionei acima, a procurar matá-l’O.
“Porque me quereis matar?”, Cristo pergunta a essas pessoas, — mas elas negam e dizem: “Tu tens o demônio. Quem é que te quer matar?”. Então Nosso Senhor tenta explicar-lhes que a lei de Moisés nunca teve a intenção de proibir fazer o bem no sábado; por exemplo, o rito da circuncisão, também ordenado por Deus, era feito no sábado. “Se um homem recebe a circuncisão ao sábado”, diz Ele, “para não ser violada a Lei de Moisés, podereis indignar-vos comigo por ter curado completamente um homem ao sábado? Não julgueis pelas aparências; julgai com um juízo reto”.
Esse diálogo me recorda as discussões atuais sobre a “canonicidade” da autocefalia ucraniana. Os críticos da autocefalia frequentemente apontam para o fato de que ela é divisora e que quebra certas regras de governo eclesiástico que eles prezam. Mas ela não “faz o bem” àqueles que precisavam dela para retornar à comunhão com a Igreja como um todo? Isso parece divisor, mas, como podemos ver acima, a divisão em si não é um sinal de que seja algo ruim, não para os seguidores de um Senhor que foi e continua sendo divisor. Ele nos convida a servir e buscar o bem uns dos outros, de acordo com Seu caminho, de acordo com Sua “oikonomia” ou Seu tipo de “regras da casa”, que prevê o sábado para o homem, e não o homem para o sábado. “Não julgueis pelas aparências”, Ele nos diz hoje, “julgai com um juízo reto”.
Versão brasileira: João Antunes
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