
Na leitura do Evangelho de hoje, extraída de João 8, Nosso Senhor fala sobre liberdade com “os judeus n’Ele tinham acreditado”, mas que queriam matá-lo. “Então, Jesus pôs-se a dizer aos judeus que nele tinham acreditado: ‘Se permanecerdes fiéis à minha mensagem, sereis verdadeiramente meus discípulos, conhecereis a verdade e a verdade vos tornará livres.’” (João 8,312). Eles respondem que Abraão é o pai deles, que nunca foram escravos de ninguém (embora o povo judeu tenha sido escravizado pelo Egito e pelos filisteus; pela Babilônia, Pérsia, Síria e Roma), mas Nosso Senhor aponta a realidade espiritual deles: “todo aquele que comete o pecado é servo do pecado”. Quando estamos cometendo “pecado” (amartia, que significa “errar o alvo”), isso nos torna “servos”, trabalhando para alguém abusivo sem receber por isso. Além disso, Ele acrescenta que eles não são filhos de Abraão no sentido espiritual: “Se fôsseis filhos de Abraão, faríeis as obras de Abraão! Agora, porém, vós pretendeis matar-me, a mim, um homem que vos comunicou a verdade que recebi de Deus. Isso não o fez Abraão!”. De fato, Abraão recebeu os mensageiros do céu quando eles vieram a ele (Gênesis 18), mas essas pessoas procuram matar Aquele que foi enviado do céu. Por fim, Nosso Senhor lhes diz de quem eles realmente são “filhos”, não no sentido genético, mas no sentido espiritual, por causa da escolha deles de permanecerem comprometidos com suas próprias ilusões e ideologias, em vez de aceitarem a verdade que lhes é oferecida em Cristo: “Porque não entendeis a minha linguagem? Porque não podeis ouvir a minha palavra? Vós tendes por pai o diabo, e quereis realizar os desejos do vosso pai. Ele foi assassino desde o princípio, e não esteve pela verdade, porque nele não há verdade. Quando fala mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira. Por isso, não acreditais em mim, porque vos digo a verdade”.
Hoje, paro e penso nessa mensagem perturbadora, que o Senhor pode dizer a qualquer um de nós “que n’Ele acreditamos”, mas que talvez estejamos tentando matar a Ele e à Sua verdade em nosso meio, porque tememos nos desfazer de nossas ilusões e ideologias. Mas será que podemos conhecer a “verdade”, podemos nos perguntar, quando vivemos em um “mundo pós-verdade” com fake news, etc.? Sim, diz o Senhor para nós: “Se permanecerdes fiéis à minha mensagem, sereis verdadeiramente meus discípulos, conhecereis a verdade e a verdade vos tornará livres”. Essa é uma promessa, feita por Alguém que não quebra Suas promessas. Que eu “permaneça fiel à Sua mensagem” hoje e que Ele me liberte, não apenas de certas atitudes e ilusões, mas para assumir o dignificante “poder de me tornar” o que fui criado e chamado para ser, um filho de Deus, “não nascido de laços de sangue, nem de um impulso da carne, nem da vontade de um homem, mas sim de Deus” (João 1,12s).
Versão brasileira: João Antunes
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