
“… Declarou-lhe Jesus: ‘Disseste bem: não tenho marido, pois tiveste cinco e o que tens agora não é teu marido. Nisto falaste verdade’. Disse-lhe a mulher: ‘Senhor, vejo que és um profeta! Os nossos antepassados adoraram a Deus neste monte, e vós dizeis que o lugar onde se deve adorar está em Jerusalém’.” (João 4,17b-20)
Aqui está outra coisa sobre a mulher samaritana: ela não reage negativamente quando o Senhor “expõe” toda a sua situação com os homens. Não sabemos os detalhes dessa história, mas provavelmente envolvia pelo menos alguma dor ou angústia para ela. E, no entanto, ela não expressa nenhuma queixa, autojustificação, incômodo ou qualquer outra coisa que sugira que ela guardava algum ressentimento (contra si mesma ou contra outros) sobre esse assunto, quando Cristo fala sobre isso. Em vez disso, ela O honra com esse reconhecimento, embora não totalmente exato, de que Ele é “um profeta”. E imediatamente ela começa a buscar respostas para as perguntas que a perturbavam, perguntas não sobre sua vida pessoal, mas sobre a correta adoração. O que se segue na resposta de Cristo é Sua “água viva”, Suas revelações a ela sobre a verdadeira adoração “em espírito e verdade”. Ela é capaz de receber essa “água viva” porque o fluxo dela não está bloqueado em seu coração por ressentimentos contra si mesma ou contra os outros.
Os ressentimentos contra nós mesmos e contra os outros bloqueiam nossa comunhão com Deus e com os demais. Não podemos aprender com Ele ou por meio de outras pessoas o que poderíamos aprender se não eliminássemos nossos ressentimentos, às vezes profundamente arraigados, por meio do perdão. Os ressentimentos nos levam ao isolamento, tornando-nos física, emocional ou espiritualmente “indisponíveis”. Eles também podem nos bloquear intelectualmente, de modo que não conseguimos ver a perspectiva de outra pessoa sobre várias questões, nem honrar a sabedoria de outra pessoa sobre vários assuntos. Nesta quarta-feira de manhã, vou dar uma olhada em todos os ressentimentos que possam estar escondendo suas caras feias em algum lugar no fundo do meu coração. Como posso saber se eles estão lá? Um sinal de alerta é quando me sinto incomodado, contrariado ou até mesmo irritado com as atitudes ou as palavras minhas ou de outra pessoa; quando me sinto pessoalmente ofendido ou prejudicado por essas atitudes ou essas palavras e procuro revidar ou simplesmente me isolar por causa disso. Que eu aceite o perdão de Deus para mim e para os outros nesta manhã, porque eu posso e porque não quero perder tempo. Quero participar do fluxo das energias criativas de Deus hoje, em Sua graça, para que eu possa servir a Deus, a mim mesmo e aos outros. “Perdoa-nos as nossas dívidas como também nós perdoamos aos nossos devedores”, Senhor amado, e “dá-me dessa água, para eu não ter sede”!
Versão brasileira: João Antunes
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