
“Jesus declarou: ‘Eu vim a este mundo para proceder a um juízo (εἰς κρίμα): de modo que os que não veem vejam, e os que veem fiquem cegos’. Alguns fariseus que estavam com Ele ouviram isto e perguntaram-lhe: ‘Porventura nós também somos cegos?’. Jesus respondeu-lhes: ‘Se fôsseis cegos, não estaríeis em pecado; mas, como dizeis que vedes, o vosso pecado permanece’.” (João 9,39ss)
O que Nosso Senhor quer dizer quando afirma: “Eu vim a este mundo para proceder a um juízo”? Em vários outros lugares, Ele diz que não nos julga. Por exemplo: “Se alguém ouve as minhas palavras e não as cumpre, não sou Eu que o julgo, pois não vim para condenar o mundo, mas sim para o salvar” (João 12,47). Na passagem citada no início desta mensagem do final de João 9, que trata da cura e da fé recém-descoberta do cego de nascença, Nosso Senhor está falando sobre o “proceder a um juízo” (“krima” em grego, que significa uma decisão ou uma questão para julgamento), que não é Sua decisão ou arbítrio (salvar ou condenar), mas nosso. Nós, tendo recebido Sua presença salvífica, também temos a opção de ver a Ele como Ele é, ou não. Alguns de nós, como os fariseus, podem geralmente pensar que “vemos” muito bem, sem Ele. Mas o Senhor chama esse estado de espírito de “pecado” (a-martia em grego, que significa errar o alvo): “mas, como dizeis que vedes, o vosso pecado permanece”. Observemos que os fariseus eram bem versados nas Escrituras e sabiam muito sobre Deus. Mas não conseguiam ver a Ele quando Ele estava Se revelando a eles de uma nova maneira, por meio de Seu Filho, porque estavam tão cheios de si mesmos, tão autossuficientes e fechados, dentro dessa “plenitude” que achavam que possuíam.
Que nesta segunda-feira reconheçamos nossa própria cegueira, quando permanecemos fechados em nossas cabeças, com nossa própria visão das coisas. Isso pode acontecer rotineiramente conosco, por exemplo, quando acordamos com um monte de medos egocêntricos, que nos incutem um sentimento de pavor em relação ao dia seguinte. Não confiemos em nosso próprio pensamento nesses momentos, mas entremos em Sua presença por meio de alguma oração sincera e contemplação de Sua palavra. A fé, a esperança, o amor próprio sadio e o amor pelos outros vêm da comunhão com Ele, da oração e da leitura salutar. Ele alivia nosso coração para que possamos ver a Ele em todas as coisas e de maneiras sempre novas, em nossos altos e baixos. “Felizes os puros de coração, porque verão a Deus” (Mateus 5,8) em todas as coisas!
Versão brasileira: João Antunes
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