MEDO DE FALAR

Saíram, fugindo do sepulcro, pois estavam a tremer e fora de si. E não disseram nada a ninguém, porque tinham medo” (Marcos 16,8). No entanto, quando as mulheres falaram, os apóstolos não acreditaram nelas. Tampouco acreditaram nos dois discípulos que, no caminho de Emaús, conversaram com o Senhor ressuscitado e depois O reconheceram no partir do pão. Finalmente, quando Ele apareceu aos Onze, apesar das portas fechadas, “censurou-lhes a incredulidade e a dureza de coração em não acreditarem naqueles que o tinham visto ressuscitado” (Marcos 16,10-14). Por que eles não acreditaram? Porque nada disso era o que eles esperavam ou queriam d’Ele, nem a Cruz tão pública, nem a Ressurreição tão pouco pública. Eles estavam esperando um triunfo e um reino terrenos, mesmo no momento de Sua ascensão: “Senhor, é agora que vais restaurar o Reino de Israel?”, perguntam eles, logo antes de Ele ascender (Atos 1,6). É somente no Pentecostes, quando o Espírito Santo os capacita com Sua graça, que todos eles começam a falar em alto e bom tom sobre a Cruz e a Ressurreição.

Em nosso tempo, também podemos ter medo de falar a verdade, até mesmo para outros seguidores de Cristo, quando eles ou nós mesmos achamos essa verdade desconfortável, porque não é o que nós preferiríamos ouvir, de acordo com nossas aspirações políticas, nacionais, pessoais, profissionais ou quaisquer outras aspirações meramente humanas. Mas animemo-nos! O Pentecostes está próximo e, de fato, sempre está em curso, no Pentecostes contínuo que é a vida da Igreja. “Anunciei-vos estas coisas para que, em mim, tenhais a paz. No mundo, tereis tribulações; mas, tende confiança: Eu já venci o mundo!” (João 16,33).

Versão brasileira: João Antunes

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