
Hoje é quarta-feira, quando, na tradição bizantina, sempre nos recordamos da “honorável” e vivificante Cruz. “Glória, Senhor, à Tua honorável e vivificante Cruz!”, dizemos. Mas a realidade física de uma crucificação é praticamente a coisa mais desonrosa e indigna que se possa imaginar. Nosso Senhor, no entanto, chamou o fato de ser “elevado” na leitura do Evangelho de hoje: “E Eu, quando for erguido da terra, atrairei todos a mim”. Para o caso de pensarmos que Ele estava falando sobre Sua ascensão (que estamos prestes a celebrar nesta quinta-feira), o evangelista João explica imediatamente: “Dizia isto dando a entender de que espécie de morte havia de morrer” (João 12,32s).
É claro que a Ascensão de Nosso Senhor crucificado e ressurreto é uma parte essencial do fato de Ele ter sido “elevado” e de todo o Seu projeto de nos erguer, em Sua humanidade divina. Ele não veio, nem foi crucificado, para nos diminuir ou nos desonrar. Ele entrou em nosso tempo, com suas tribulações, alegrias e tristezas, amizades e traições, luzes e trevas, altos e baixos, a fim de nos “elevar” à dignidade, honra e “poder” ou “autoridade” (exousia, João 1,12) para nos tornarmos Seus — Seus filhos, e não de qualquer outra pessoa. Somos libertos da escravidão do ego, de codependências doentias e lealdades equivocadas, ao tomarmos Sua honorável e vivificante cruz e avançarmos em nosso tempo, em vez de sermos jogados de um lado para o outro sem rumo. Avancemos nesta quarta-feira, ao celebrarmos a entrega da Páscoa e nos aproximarmos da grande festa da Ascensão do Senhor, com a “autoridade” e a dignidade de quem está se tornando quem somos, Seus filhos. “Elevemos os nossos corações ao alto”, mesmo enquanto nossos pés caminham firmemente na jornada de carregar a cruz, e nos ocupamos de nossas responsabilidades com nossos corações abertos à Sua graça. “Sabei que Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos” (Mateus 28,20). Amén.
Versão brasileira: João Antunes
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