
“Dito isto, elevou-se à vista deles e uma nuvem subtraiu-o a seus olhos. E como estavam com os olhos fixos no céu, para onde Jesus se afastava, surgiram de repente dois homens vestidos de branco, que lhes disseram: ‘Homens da Galileia, por que estais assim a olhar para o céu? Esse Jesus que vos foi arrebatado para o Céu virá da mesma maneira, como agora o vistes partir para o Céu’. Desceram, então, do monte chamado das Oliveiras, situado perto de Jerusalém…” (Atos 1,9-12)
O que os onze discípulos fizeram depois que voltaram para Jerusalém? Eles apenas oraram e esperaram a vinda do Espírito Santo? Não. Eles, de fato, oraram no “cenáculo” com o restante da comunidade, cerca de 120 pessoas, conforme aprendemos no Livro de Atos 1,14: “E todos unidos pelo mesmo sentimento, entregavam-se assiduamente à oração, com algumas mulheres, entre as quais Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos de Jesus”. Mas eles também “por aqueles dias” (antes do Pentecostes) lançaram sortes e elegeram Matias, para substituir Judas como um dos doze, e “foi incluído entre os onze Apóstolos” (Atos 1,26b). Em outras palavras, eles também cuidaram de uma questão administrativa da Igreja, uma questão de “ordem” da igreja. Muitas vezes ouvimos o equívoco popular de que a hierarquia e a(s) ordem(ns) da Igreja vieram posteriormente, — e é claro que é verdade que elas evoluíram ao longo dos vários séculos seguintes. Mas já “por aqueles dias”, mesmo antes do Pentecostes, os apóstolos reconhecem a necessidade de manter o número específico de doze, daqueles que compartilham deste “ministério apostólico”, enquanto oram antes de lançar a sorte e eleger (dentre dois candidatos) o novo apóstolo, Matias: “Senhor, Tu que conheces o coração de todos, indica-nos qual destes dois escolheste para ocupar, no ministério apostólico, o lugar abandonado por Judas, que foi para o lugar que merecia”.
O que quero dizer é que, caso algum de nós imagine uma Igreja Primitiva sem nenhuma preocupação em manter uma ordem específica em um ministério e função específicos, — não imagine. A complicada tarefa de administrar e organizar o ministério da Igreja, aqui e agora, por seres humanos falíveis, começou antes mesmo do Pentecostes. Não foi isso que os “dois homens vestidos de branco” disseram aos apóstolos para fazer, essencialmente, — parar de ficar ali parados, olhando para o céu? Eles tinham trabalho a fazer, aqui e agora, pelo qual seriam responsabilizados, porque “esse Jesus que vos foi arrebatado para o Céu”, estava voltando. Portanto, tenhamos confiança quando formos confrontados com os aspectos confusos e frustrantes da administração da Igreja, da ordem canônica, etc. Nosso Senhor está voltando, “como o vimos partir para o Céu” neste maravilhoso dia de Sua ascensão, e nos responsabilizará pela forma como cuidamos de nossas responsabilidades em Sua Igreja. Feliz Festa da Ascensão!
Versão brasileira: João Antunes
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