O SENSO DE HUMOR NA IGREJA “APOSTÓLICA”

Enquanto nos preparamos para celebrar o Domingo dos Padres do Primeiro Concílio Ecumênico neste fim de semana e, os cristãos ocidentais, o Pentecostes ou a Descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos, a leitura de hoje do Livro de Atos me recorda de que a Igreja “apostólica” tem senso de humor. A leitura é sobre São Paulo em Trôade, onde ele falou por tanto tempo que “prolongou a sua pregação até à meia-noite”. Um jovem chamado Êutico, que estava sentado em uma janela no cenáculo onde estavam reunidos, foi “dominado pelo sono” enquanto Paulo continuava falando e, por fim, Êutico “caiu do terceiro andar e levantaram-no já morto”. Mas Paulo desceu, abraçou-o e assegurou a todos que “a alma está nele”. Será que o apóstolo decidiu encerrar o dia, a esta altura? Não. Ele voltou para o cenáculo (enquanto Êutico se recuperava do lado de fora), partiu o pão e comeu, e “falou demoradamente até de madrugada”, quando partiu. Então “levaram o jovem vivo”, escreve São Lucas e acrescenta: “o que foi motivo de grande consolação” (Atos 20,12). Eles ficaram grandemente consolados depois de o Apóstolo ter partido, veja bem, quando recuperaram o jovem que sobreviveu ao sermão que durou a noite toda.

Isso me recorda o que ouvi uma abadessa dizer em tom de brincadeira depois de receber um bispo visitante, o que envolveu muito trabalho: “Nada mais me alegra do que ver as costas de um bispo indo embora”. Adoro isso, porque foi dito por alguém que é muito dedicado tanto à Igreja quanto a realizar ações como receber um bispo “adequadamente”. Não há problema em não nos levarmos muito a sério hoje, assim como não havia problema, aparentemente, em São Lucas incluir a pequena história sobre o grande apóstolo dos gentios falando com alguém até a morte. Graças Te dou, Senhor, por Teus santos Apóstolos e pelas mulheres e homens que alegram nossas vidas com o senso de humor de uma Igreja “apostólica”.

Versão brasileira: João Antunes

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