QUANDO ESTAMOS CANSADOS E ABATIDOS

Nesta manhã de segunda-feira, sou muito grato por ler a passagem do Evangelho de hoje, que me recorda de como o Senhor nos vê, quando estamos cansados e abatidos, como ovelhas sem pastor: “Contemplando a multidão, encheu-se de compaixão por ela, pois estava cansada e abatida (ἐρριμμένοι), como ovelhas sem pastor” (Mateus 9,36).

Será que, neste estado, Cristo nos vê como inúteis? Não. Ele nos vê com grande potencial, como uma “colheita abundante”, como Ele diz ao lado de Seus discípulos: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao Senhor da messe para que envie trabalhadores para a sua messe” (Mateus 9,37). Logo depois disso, Ele convocou todos os doze discípulos e “deu-lhes poder de expulsar os espíritos malignos e de curar todas as enfermidades e doenças” (Mateus 10,1).

Agora, tendo sido comparados a “ovelhas” e a uma “colheita”, podemos pensar em nós mesmos como sujeitos passivos, que precisam ser “reunidos” ou “salvos” por outra pessoa. De fato, precisamos ser “reunidos” e “salvos” pelo Bom Pastor, Nosso Senhor Jesus Cristo, mas isso não significa que permanecemos passivos em toda a questão da nossa salvação. Os discípulos também eram como o trigo e as ovelhas dispersas, que não teriam recebido poder para “expulsar os espíritos malignos” e “curar” se não tivessem sido chamados a isso por Cristo — e se não tivessem respondido ao Seu chamado. Ser chamado de “ovelha” por Aquele que é chamado de “ovelha emudecida nas mãos do tosquiador” (Isaías 53:7) e ser chamado de “colheita” por Aquele que se chama “pão” (feito de trigo) não é nem indigno e nem um tipo passivo de vocação. Nosso propósito é nos tornarmos um alimento para os outros, assim como as ovelhas e o trigo. Também devemos ser capacitados, assim como os discípulos, pelo Seu Espírito, para expulsar “espíritos malignos” — de dentro de nós mesmos e depois dos outros; e para curar a nós mesmos e aos outros, pela Sua graça.

Que nos ocupemos em fazer isso, ao iniciarmos a segunda semana do Jejum dos Apóstolos, especialmente se estivermos experimentando sentimentos de inutilidade ou autopiedade, ou nos sentindo “cansados e abatidos, como ovelhas sem pastor”. Temos um Bom Pastor e tanto, Que dignifica cada um de nós não apenas com Sua com-paixão (ou sofrendo “conosco” em nossa jornada carregando a cruz), mas também nos chamando a realizar nosso grande potencial, quando nos deixamos reunir em comunhão com Ele: “Venham sobre nós as graças do Senhor, nosso Deus!”, digo esta manhã ao rezar a Primeira Hora, “Confirma em nosso favor a obra das nossas mãos; faz prosperar a obra das nossas mãos” (Salmo 89/90,17).

Versão brasileira: João Antunes

© 2023, Ir. Vassa Larin
www.coffeewithsistervassa.com