
“Pela paz do mundo inteiro, pela estabilidade das santas Igrejas de Deus e pela união de todos, oremos ao Senhor.” (Grande Litania Bizantina)
Recentemente, notei que em alguns contratos de seguro, a guerra está listada entre os “atos divinos”, juntamente com eventos naturais, revoltas e greves trabalhistas. Um “ato divino” nesse contexto é um evento que está além do controle humano do beneficiário do contrato de seguro, embora a maioria desses eventos não sejam, de fato, “atos divinos”. Há seres humanos responsáveis pela maioria desses eventos, se não por todos, enquanto o contrato de seguro se destina a cuidar de suas vítimas. A guerra, por exemplo, talvez seja um ato de “um” deus para os pagãos, que acreditam em um deus da guerra (como Marte ou Týr), mas não para os cristãos.
A paz é um “ato divino”? Não exatamente ou não somente. Oramos “pela paz do mundo inteiro”, como na litania citada acima, portanto, podemos presumir que sim. Precisamos orar pela paz, porque Deus é a fonte da paz, assim como é a fonte de outras energias divinas, como o amor, a benevolência, a humildade, a compaixão, a paciência, etc. Mas Ele não força Sua paz ou graça sobre nós; precisamos estar dispostos a aceitar a Ele e as Suas energias divinas, inclusive a paz; precisamos estar suficientemente abertos e vulneráveis para nos entregarmos à comunhão com Ele e às consequências da comunhão com Ele. Por isso, somos ensinados a orar por coisas que, em nossos momentos mais obscuros, talvez não desejemos “de verdade”, para que aprendamos a desejá-las “de verdade”: “Seja feita a Tua vontade”, podemos dizer, embora “realmente” queiramos nossas próprias vontades. “Venha o Teu Reino”, podemos dizer, enquanto buscamos ou construímos nossos próprios pequenos reinos. “Pela paz do mundo inteiro”, podemos orar, enquanto travamos guerras sem sentido em nossos pequenos mundos e lares.
Oremos ao Senhor neste domingo — pela paz, para que Sua vontade seja feita, para que Seu Reino entre em nossa vida e para que estejamos dispostos a aceitá-l’O como nosso Rei e nosso Deus.
Versão brasileira: João Antunes
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