
“Rogo-vos, irmãos, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que estejais todos de acordo e que não haja divisões entre vós; permanecei unidos num mesmo espírito e num mesmo pensamento. Pois, meus irmãos, fui informado pelos da casa de Cloé, que há discórdias entre vós. Refiro-me ao fato de cada um dizer: ‘Eu sou de Paulo’, ou ‘Eu sou de Apolo’, ou ‘Eu sou de Cefas’, ou ‘Eu sou de Cristo’. Estará Cristo dividido? Porventura Paulo foi crucificado por vós? Ou fostes batizados em nome de Paulo?” (1ª Coríntios 1,10-13)
Ao nos aproximarmos da festa dos Santos Pedro e Paulo, celebrada amanhã no Calendário Juliano Revisado, estou refletindo sobre a passagem citada acima. São Paulo nos roga que não criemos identidades para nós mesmos, além daquela que recebemos no Santo Batismo, quando somos revestidos da “nova veste” que é o próprio Cristo: “pois todos os que fostes batizados em Cristo, revestistes-vos de Cristo” (Gálatas 3,27).
Mas em nossa época, quando já há mais de um milênio nós, como cristãos, nos identificamos com nosso bispo, seja ele o sucessor de “Cefas” (Pedro), de Paulo, de André, de Marcos ou de outro apóstolo, podemos pensar que é tarde demais. Mesmo dentro de uma Igreja Ortodoxa, nós nos identificamos como sendo “de Cirilo”, “de Onofre”, “de Bartolomeu”, “de Epifânio” ou da jurisdição de outra pessoa, e “há discórdias entre nós”, com base não na teologia, mas em nossa afiliação jurisdicional.
Não sei o que dizer ou fazer sobre isso. Mas acho que São Paulo nos diria o mesmo que disse aos coríntios: “Cristo está dividido? Cirilo, Onofre, Bartolomeu ou Epifânio foram crucificados por vós? Ou fostes batizados em nome deles?”. E acho que cada um de nós, como membros de uma Igreja “Apostólica”, que cremos ser “apostólica”, pode reencontrar nosso senso de pertencer a Cristo, Que foi de fato crucificado por nós, e nosso senso de pertencer ao nosso Deus Triúno, em cujo Nome fomos de fato batizados. Ele nos deu, “aos que nele creem, o poder de nos tornarmos filhos de Deus. Não nascidos de laços de sangue, nem de um impulso da carne, nem da vontade de um homem, mas sim de Deus” (João 1,12b-13).
Nesta manhã, podemos resgatar esse “poder”, mesmo quando carregamos a cruz da história, também da história recente, em nossas pequenas jurisdições separadas. Santos Apóstolos, rogai a Deus por nós!
Versão brasileira: João Antunes
© 2023, Ir. Vassa Larin
www.coffeewithsistervassa.com
