
“Encontrando-se Jesus à mesa em sua casa, numerosos cobradores de impostos e outros pecadores vieram e sentaram-se com Ele e seus discípulos. Os fariseus, vendo isto, diziam aos discípulos: ‘Por que é que o vosso Mestre come com os cobradores de impostos e os pecadores?’. Jesus ouviu-os e respondeu-lhes: ‘Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. Ide aprender o que significa: Prefiro a misericórdia ao sacrifício. Porque Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores’.” (Mateus 9,10-13)
Os cobradores de impostos e os pecadores simplesmente “vieram e sentaram-se com Ele e Seus discípulos”, mas os fariseus ficaram de pé ao redor da mesa fazendo perguntas. Eles temiam ser degradados ou até mesmo contaminados pela companhia daqueles que não estavam seguindo as regras deles, que não estavam fazendo os sacrifícios que os fariseus passaram a exigir das pessoas.
Mas o Senhor manda os fariseus “irem aprender” os princípios básicos do que Deus deseja de nós, que não são nossa justiça e sacrifícios, mas Sua “piedade”, que é a maneira de Deus partilhar de Si mesmo conosco. Em grego, a palavra “piedade” é eleos, que significa mais do que apenas uma ausência de punição. É um transbordamento da boa vontade e da bondade de Deus para com todos nós; Sua maneira de partilhar de Si mesmo conosco. Nosso objetivo é receber a “piedade” de Deus e transmiti-la aos outros, em vez de guardá-la como se fosse nossa. Essa é a maneira de Deus, e podemos ser libertos de nossa maneira de isolamento, baseada em medos egocêntricos dos outros, deixando que Deus faça o que quer conosco e com os outros em nosso meio. É por isso que em nossos ofícios religiosos dizemos repetidamente: “Senhor, tem piedade!”. Estamos dizendo: “Senhor, faça à Sua maneira!”.
Que possamos “vir e nos sentar” com Aquele que come e bebe com os pecadores, com um Amigo de renegados e gentios. Todos nós somos “essas pessoas”, podemos reconhecer isso, se mudarmos nosso foco e olharmos para nós mesmos e para nossa própria necessidade de um Médico, em vez de fazer perguntas sobre os outros e exigir deles sacrifícios que achamos que eles deveriam estar fazendo. Senhor, tem piedade!
Versão brasileira: João Antunes
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