PELA SABEDORIA TORNAR-SE UM LOUCO

Ninguém se engane a si mesmo: se algum de entre vós se julga sábio à maneira deste mundo, torne-se louco para ser sábio. Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus. Com efeito, está escrito: ‘Ele apanha os sábios na sua própria astúcia’.” (1ª Coríntios 3,18s)

O próprio São Paulo ficou cego por três dias, pela luz de Cristo que “o envolveu” na estrada para Damasco. E “passou três dias sem ver, sem comer nem beber” (Atos dos Apóstolos 9). Saulo era um homem instruído, bem versado nas Escrituras e “tão zeloso das tradições” de seus pais (Gálatas 1,14), por isso ele achava que tinha todas as respostas; que via as coisas sob a luz correta, ortodoxa. Ele precisava deixar de ver, ser cegado, a fim de desaprender suas próprias respostas e “tornar-se louco para ser sábio”.

Será que também precisamos desaprender nossas próprias respostas, mesmo aquelas que achamos que são baseadas nas Escrituras e nas “tradições de nossos pais”, mas que na verdade são apenas “sabedoria deste mundo”? Às vezes, sim. Às vezes, podemos perceber sinais de que nossa “sabedoria” aparentemente ortodoxa não está trazendo a luz de Cristo para nossa vida. Se, por exemplo, acordamos constantemente com um sentimento de pavor ou angústia existencial; se os medos meramente humanos disso ou daquilo (da insegurança financeira, da opinião humana, do envelhecimento, do futuro em geral) são nossos companheiros no dia a dia, em vez da fé e da vigilância quanto à presença amorosa de Deus em nossa vida, — esses podem ser sinais de que estamos adotando “a sabedoria deste mundo”. Isso é desprovido da esperança que resulta de realmente receber Deus em nosso dia a dia, desde o momento em que acordamos. Que eu “me torne louco” nesta manhã e me entregue à sabedoria de Deus e à Sua fé eterna em mim e em todos nós, porque eu posso fazer isso. “Cria em mim, ó Deus, um coração puro; renova e dá firmeza ao meu espírito” (Salmo 50/51,12).

Versão brasileira: João Antunes

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