BATISMO DE SANGUE

Aproximou-se então de Jesus a mãe dos filhos de Zebedeu, com os seus filhos, e prostrou-se diante dele para lhe fazer um pedido. ‘Que queres?’ — perguntou-lhe Ele. Ela respondeu: ‘Ordena que estes meus dois filhos se sentem um à tua direita e o outro à tua esquerda, no teu Reino’. Jesus retorquiu: ‘Não sabeis o que pedis. Podeis beber o cálice que Eu estou para beber?’. Eles responderam: ‘Podemos’. Jesus replicou-lhes: ‘Na verdade, bebereis o meu cálice; mas, o sentar-se à minha direita ou à minha esquerda não me pertence a mim concedê-lo: é para quem meu Pai o tem reservado’.” (Mateus 20,20-23)

Não sei o que dizer sobre a “disposição dos assentos” no reino de Cristo, porque não entendo dessas coisas. Mas a mãe dos filhos de Zebedeu também não. Por isso, Nosso Senhor lhe diz que ela “não sabia o que estava pedindo”. Aparentemente, ela imaginava um “reino” terreno, no qual queria ter certeza de que seus filhos teriam posições de destaque. E ela aborda Jesus como um concorrente político meramente humano e deste mundo, pronto a distribuir favores e conceder privilégios, nesse momento em que Ele estava subindo ao poder, para garantir as carreiras daqueles que tinham o bom senso de se curvar ante Ele agora.

Mas, como Cristo salienta, o Seu reino é um reino para o qual entramos, e para o qual Ele estava voltando, por meio do “cálice” e do “batismo” da cruz. Não é por meio de nossa “posição”, por mais elevada, poderosa e honrosa que seja, em nossa existência terrena, — mesmo na Igreja, — que nos é garantido um “assento” no reino dos céus. Não, nós “entramos” em Seu reino percorrendo a jornada de carregar a cruz diariamente. Morremos continuamente e vivemos novamente em Cristo, seguindo Sua direção, em nossos altos e baixos. Esse é o nosso “batismo de sangue”, pelo qual todos nós passamos, além do nosso “batismo pela água e pelo Espírito” (cf. João 3,5).

Portanto, vou tomar minha pequena cruz mais uma vez nesta manhã e enfrentar minhas responsabilidades imediatas. Que eu possa cumprir essas responsabilidades, em vez de evitá-las com procrastinação, desânimo ou negação. Que eu abra aquele envelope aparentemente problemático do banco, ou faça aquela ligação telefônica que tenho adiado, ou inicie aquela conversa com um ente querido, colega ou chefe com quem tenho tido problemas. “Lembra-Te de mim, Senhor”, quando eu der o próximo pequeno passo nessa jornada de hoje, “quando vieres no Teu Reino!” (Lucas 23,42).

Versão brasileira: João Antunes

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