
“E [Jesus] prosseguiu: ‘Tomai sentido no que ouvis. Com a medida que empregardes para medir é que sereis medidos, e ainda vos será acrescentado. Pois àquele que tem, mais será dado; e ao que não tem, mesmo aquilo que tem lhe será tirado’.” (Marcos 4,24s)
Muitos de nós provavelmente já lemos ou ouvimos os versículos citados acima muitas vezes e nos perguntamos: Quem tem ou não tem o que? A chave para responder a essa pergunta está no versículo anterior: “Se alguém tem ouvidos para ouvir, oiça. Tomai sentido no que ouvis… e a vocês que ouvem, mais será dado”. Ou “tomamos sentido no que ouvimos”, damos atenção ao que “ouvimos”, tanto diretamente da palavra de Deus quanto do que Deus está nos dizendo por meio de outras pessoas, — ou não ouvimos de verdade e, em vez disso, optamos por nos entregar às nossas próprias ilusões, como aqueles “e se” negativos ou positivos, que vão desde medos egocêntricos, ressentimentos e expectativas até pensamentos positivos. Se exercermos a verdadeira obediência (do latim “ob” + “audire”, que significa “ouvir com atenção” ou “ouvir internamente”) à vontade e à presença de Deus em nossa vida, conforme manifestada por meio das pessoas, dos lugares e das coisas que Ele nos traz, em vez de desejarmos ou imaginarmos uma realidade diferente, experimentamos um tipo de despertar espiritual cada vez maior para a bondade de Deus para conosco. Isso nos traz alegria e “mais nos é dado”.
É preciso um pouco de esforço, todos os dias, para estarmos atentos e alertas dessa forma. É útil escrever em um diário, anotando brevemente os pontos positivos e negativos do dia anterior; pelo que somos gratos a Deus, como nos saímos bem ou o que deu certo, com a ajuda de Deus, e como não nos saímos tão bem, além de como poderíamos fazer ou ser melhores. Isso, juntamente com um pouco de leitura saudável e oração, são algumas coisas que podem nos ajudar a nos concentrar no tipo de autocuidado que nos impede de perder tempo com a solidão, os ressentimentos, os medos e outras armadilhas que costumamos cair quando damos ouvidos ou nos concentramos nos vilões que existem apenas em nossas cabeças. Se escolhermos esse caminho de autossabotagem e “não tivermos” um foco centrado em Deus, então nosso autoisolamento resultante “tirará” qualquer alegria, mesmo aquelas que temos, porque não notaremos essas bênçãos dadas por Deus.
Se isso parecer muito difícil, neste momento de nossas vidas, “tomar sentido no que ouvimos” e reorientar o foco dessa forma, tenhamos apenas a disposição de começar, pedindo ao nosso amoroso Deus que nos incentive ainda mais, como Ele está mais do que disposto e é capaz de fazer. Ajuda-nos, salva-nos, tem piedade de nós e guarda-nos, ó Deus, pela Tua graça!
Versão brasileira: João Antunes
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