DA AUTOMUTILAÇÃO À RECUPERAÇÃO DIGNA

Andava sempre, dia e noite, entre os túmulos e pelos montes, a gritar e a ferir-se com pedras.” (Marcos 5:5)

A leitura do Evangelho de hoje é sobre o homem possuído na “região dos gerasenos”, a quem nosso Senhor cura, enviando a “Legião” de espíritos malignos para uma grande vara de porcos. A maioria dos meus leitores provavelmente conhece a história. Quero me concentrar hoje apenas em seu início e fim: 1. No fato de que o homem estava se automutilando por conta própria, nas montanhas e nos túmulos; e 2. No fato de que, depois de ser curado, ele quer ficar com o Senhor, mas Ele diz ao homem: “Vai para tua casa, para junto dos teus, e conta-lhes tudo o que o Senhor fez por ti e como teve misericórdia de ti”.

Eis como alguns de nós podem se identificar com essa história. Quando somos afligidos por algo semelhante — talvez não por possessão demoníaca, que eu mesmo não entendo completamente —, mas por algo autodestrutivo, como um vício ou obsessão, acabamos nos isolando e ficamos sozinhos com a coisa ou o pensamento ao qual nos apegamos de forma doentia. E enquanto estamos nesse estado, talvez não estejamos “nos ferindo com pedras”, como fez o homem na região dos gerasenos, mas nos ferimos ao nos envolvermos com o vício ou a obsessão.

Mas quando pedimos auxílio a Deus e/ou a outras pessoas, por meio das quais Deus nos ajuda a entrar no caminho da recuperação ou da salvação (e a ajuda está abundantemente disponível hoje, por exemplo, em programas de 12 Passos, para qualquer pessoa que ainda esteja sofrendo com algo assim), acabamos sendo mandados de volta para “casa”, como aconteceu com esse homem, — e isso nem sempre é fácil. Há reconciliações a serem feitas, relacionamentos a serem curados, problemas a serem resolvidos e assim por diante. Mas tudo isso também é muito dignificante, pois nos tornamos testemunhas de “tudo o que o Senhor fez” por nós. Senhor, ajuda-nos a sair de nossos túmulos auto-infligidos, se ainda estivermos sofrendo sozinhos, e que possamos pedir ajuda, para que assim glorifiquemos o Seu Santo Nome em proveito de nós mesmos e dos outros. Amén!

Versão brasileira: João Antunes

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