A DECAPITAÇÃO DE JOÃO BATISTA

A decisão de Herodes de consentir com a decapitação de João Batista foi apenas mais uma de uma sequência de decisões ruins. Ele havia decidido se casar com a esposa de seu irmão, Herodíade, que era o tipo de mulher que gostava de ver a cabeça de um profeta em um prato; então, mandou prender João Batista “por causa de Herodíade” (Marcos 6,17), porque João estava dizendo a Herodes que o casamento dele com ela não era lícito; e, em sua luxuosa festa de aniversário, Herodes jurou sem pensar (e provavelmente bêbado) à dançarina que lhe daria o que ela pedisse. Assim, ele acaba consentindo com o que ele mesmo não queria de fato, que era a execução violenta do precursor do Senhor. Note que Herodes era capaz de tomar boas decisões, como podemos ver pelas “muitas coisas” que ele fez, de acordo com o que João disse, quando Herodes “o escutava com agrado”. Mas ele não era capaz de estabelecer e manter limites no que se refere aos seus desejos sexuais e, provavelmente, também na área do comer e beber, de modo que se tornou escravo não apenas de seus próprios desejos, mas também do querer agradar a todas as pessoas.

É por isso que jejuamos no dia da festa da decapitação de João Batista, celebrada hoje conforme o Calendário Juliano Tradicional. O jejum é um exercício de observância de certos limites, não apenas, mas principalmente, também nas áreas do comer e beber. De forma um tanto irônica, estabelecer e respeitar nossos próprios limites nos liberta para que possamos crescer dentro de sua estrutura saudável. Tornamo-nos mais livres e mais eficazes na realização de nossa vocação, na manutenção do senso de propósito que Deus estabelece para nós, de modo que atuamos em sinergia com Ele na obra em andamento que cada um de nós é. Somos como Sua obra de arte, dentro da moldura que é nossa disciplina diária. Como Chesterton disse em algum lugar: “A essência de todos os quadros é a moldura”. Pelas orações de São João Batista, Senhor, conceda-nos a sabedoria e a coragem para seguirmos em frente hoje em liberdade, dentro dos limites saudáveis de Sua boa vontade para todos nós.

Versão brasileira: João Antunes

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