QUESTÕES RELATIVAS ÀS MULHERES EM NOSSA IGREJA

Voltando do sepulcro, foram contar tudo isto aos Onze e a todos os restantes. Eram elas Maria de Magdala, Joana e Maria, mãe de Tiago. Também as outras mulheres que estavam com elas diziam isto aos Apóstolos; mas as suas palavras pareceram-lhes um desvario, e eles não acreditaram nelas. Pedro, no entanto, pôs-se a caminho e correu ao sepulcro. Debruçando-se, apenas viu as ligaduras e voltou para casa, admirado com o sucedido.” (Lucas 24,9-12)

Essa situação, descrita na leitura do Evangelho de hoje, quando os homens “não acreditaram” nas mulheres, me faz lembrar algumas das situações discutidas na conferência de mulheres da qual acabei de participar no Mosteiro de New Valamo, na Finlândia. Nessa conferência, para a qual os homens também foram convidados (mas apenas um compareceu), muitas mulheres compartilharam suas preocupações sobre a diferença entre os papéis ou “lugar(es)” abertos a elas fora da Igreja e aqueles abertos a elas dentro da Igreja.

As vocações das mulheres têm se expandido “fora” da Igreja, não por causa de qualquer rebelião ou revolução provocada especificamente pelas mulheres cristãs Ortodoxas, mas por causa de várias circunstâncias históricas dadas por Deus, como a realidade relativamente nova (no quadro geral da história mundial) de mulheres que recebem educação superior, liderança e cargos de gerência em vários campos, por exemplo muitas vezes sendo as principais responsáveis pelo sustento de suas próprias famílias; primeiras-ministras no governo (como foi o caso de uma mulher aqui na Finlândia, recentemente); CEOs em corporações; professoras titulares em departamentos acadêmicos de universidades (exceto os ortodoxos), etc.

Mas na Igreja, as vocações das mulheres ainda são regidas por textos canônicos escritos por homens há mais de um milênio. E se alguma de nós, mulheres, tentar falar sobre a nossa nova situação hoje, que exige novas formas e normas canônicas, a reação dos homens da nossa Igreja a essa conversa é, muitas vezes, como a reação dos apóstolos à notícia das mulheres, que vieram do sepulcro vazio naquela manhã de domingo, há dois milênios: os homens descartam nossos testemunhos como “desvario”. Na verdade, tentar conversar com os homens da nossa Igreja sobre a necessidade de novas formas e normas canônicas para o ministério das mulheres muitas vezes é como buscar “o Vivente entre os mortos”.

Será que devemos parar de falar e dar testemunho de nossas novas vocações? As mulheres que foram ao sepulcro vazio de nosso Senhor não pararam, e nós as honramos com gratidão por seu testemunho. Uma delas, Maria Madalena, foi até reconhecida pelas gerações seguintes de cristãos como “Igual-aos-Apóstolos”, por seu serviço apostólico nas cidades de sua época. Séculos mais tarde, outra mulher, Xênia de São Petersburgo, deu testemunho de Cristo nas cidades e foi reconhecida como uma “santa louca”. Animemo-nos e falemos, talvez como “santos loucos” em nossas cidades. Quem sabe, talvez aqui e ali alguns homens, como São Pedro, sejam levados a ir e ver por si mesmos que seu Senhor não está mais onde e como eles esperavam encontrá-l’O, mas como as mulheres têm dito.

Versão brasileira: João Antunes

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