AS MÃOS DE DEUS E AS NOSSAS MÃOS

As Tuas mãos me criaram e formaram; dá-me inteligência para aprender os Teus mandamentos.” (Salmo 118/119,73)

O que a primeira parte desse versículo, sobre as “mãos” de Deus terem “me criado e formado”, tem a ver com a segunda parte, sobre aprender com Ele? As mãos de Deus criaram as minhas mãos, para que as minhas mãos também pudessem criar. Mas as minhas mãos só podem criar por Sua graça e orientação, para as quais preciso permanecer aberto; para as quais preciso permanecer dócil. É por isso que, quando um presbítero unge as nossas mãos com óleo santo no rito do batismo, ele diz as palavras citadas acima: “As Tuas mãos me criaram e formaram”. Naquele momento, nossas mãos recebem essa tarefa, de recordar e de refletir em todas as suas ações o tipo de criatividade boa e divina que nos criou.

É extremamente dignificante recordar esse chamado, essa vocação, de minhas “mãos” (que representam todas as minhas capacidades criativas, não apenas aquelas realizadas pelas mãos), para participar do fluxo das energias criativas de Deus, enquanto faço o que quer que seja chamado a fazer em minha pequena vida. Isso é útil contra o desânimo ou outros tipos de negatividade que, às vezes, podem nos deprimir, fazendo com que não levemos a sério as pequenas ou grandes missões que cada um de nós é chamado a realizar em um determinado dia. Nesta sexta-feira, que é o sexto dia da semana, no qual “recordamos” o Sexto Dia da criação, quando Deus criou o ser humano, que eu seja dócil, enquanto digito no teclado, faço meu café, lavo o rosto e cuido da pele, faço meus exercícios, me visto, dou um telefonema, envio uma mensagem de texto, leio, etc. “As Tuas mãos me criaram e formaram; dá-me inteligência” para compreender Tua dignificante e amorosa vontade e propósito para comigo, “e aprenderei os Teus mandamentos”.

Versão brasileira: João Antunes

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