
“Na posse de uma tal esperança, procedemos com total desassombro. E não fazemos como Moisés, que punha um véu sobre o seu rosto para que os filhos de Israel não vissem o fim do que era transitório. Mas o entendimento deles foi obscurecido, e ainda hoje, quando leem o Antigo Testamento, esse mesmo véu continua a não ser removido, pois é só em Cristo que deve ser levantado. Sim, até hoje, todas as vezes que leem Moisés, um véu cobre-lhes o coração. Mas, quando se converterem ao Senhor, o véu será tirado. Ora, o Senhor é o Espírito e onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade. E nós todos que, com o rosto descoberto, refletimos a glória do Senhor, somos transfigurados na sua própria imagem, de glória em glória, pelo Senhor que é Espírito.” (2ª Coríntios 3,12-18)
Hoje é o Επέτειος του «’Οχι» (ou o Dia/Aniversário do “Não”) na Grécia, que homenageia o povo grego que disse “Não” ao ditador fascista italiano em 28 de outubro de 1940, bem como a resistência grega à ocupação pelas Potências do Eixo nos anos seguintes à Segunda Guerra Mundial. Em minha Igreja Ortodoxa Russa, a leitura da Epístola de hoje é a citada acima. Embora não seja a que é lida nas igrejas gregas hoje, ela se encaixa bem no tema principal do “Dia do Não”, que é dizer “Não” ao autoritarismo e usar “total desassombro” para resistir à sua dominação.
Aqui, São Paulo fala sobre nós, cristãos, que usamos “total desassombro”, especialmente porque temos esperança. E nossa esperança no Senhor tira o “véu”, que significa a incapacidade de “ver o fim do que era transitório”. Isso significa que nosso medo meramente humano do novo bloqueia nossa visão; ele cobre o novo como um véu, atando-nos ao que já se foi, de modo que ficamos presos ao passado, incapazes de mudar da forma como Nosso Senhor nos convida a mudar pelo Seu Espírito, sendo “transfigurados na Sua própria imagem, de glória em glória”.
Quando nos voltamos para o Senhor, “o véu é tirado”, para que possamos ver um caminho para o futuro e “ver o fim do que era transitório”. O que é “transitório” conforme ousamos ter esperança, meus amigos? Nossa escravidão imposta pelo medo é “transitória”, na “Páscoa” ou Pascha para a qual somos chamados todos os dias, quando substituímos o medo pela fé, a escuridão pela luz e a indecisão pela ousadia. Podemos passar livremente para uma nova vida hoje, na fé “reta” (orthoí) que é a fé Orto-doxa no Espírito do Senhor, porque “onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade”. Resistamos à tirania do passado e acolhamos a nova vida que Deus nos oferece hoje, porque nós podemos fazer isso. Feliz Dia do Não!
Versão brasileira: João Antunes
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