JUSTIFICADOS PELA FÉ

Sabemos, porém, que o homem não é justificado pelas obras da Lei, mas unicamente pela fé em Jesus Cristo; por isso, também nós acreditamos em Cristo Jesus, para sermos justificados pela fé em Cristo e não pelas obras da Lei; porque pelas obras da Lei nenhuma criatura será justificada. Mas se, ao procurarmos ser justificados pela fé em Cristo, fomos também nós achados como pecadores, não será Cristo um servidor do pecado? De maneira nenhuma! Se, com efeito, aquilo que eu tinha destruído, o volto a construir, sou eu que a mim próprio me apresento como transgressor. É que eu pela Lei morri para a Lei, a fim de viver para Deus. Estou crucificado com Cristo. Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim. E a vida que agora tenho na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus que me amou e a si mesmo se entregou por mim.” (Gálatas 2,16-20)

O que significa para nós, em termos práticos, o fato de sermos “justificados” pela fé em Jesus Cristo e não pelas “obras da Lei”? Significa uma mudança de foco. A “obra” na qual precisamos nos concentrar agora, depois que Jesus Cristo entrou em nossas vidas, é cultivar nossa fé em Nosso Senhor e Mestre, e não em nós termos dominado essa ou aquela regra, ou em construir nosso domínio sobre essas regras. É por isso que, quando as pessoas perguntam a Cristo (em João 6,28): “Que havemos nós de fazer para realizar as obras de Deus?”. Jesus lhes respondeu: “A obra de Deus é esta: crer naquele que Ele enviou”. A fé ou a confiança requer empenho, em qualquer relacionamento saudável, e precisamos continuar nos empenhando para nos comunicarmos com a nossa “outra metade significativa” — também com a nossa Outra Metade Mais Significativa, que é Deus — para que o relacionamento com Ele “funcione”, pela graça ou energias divinas que fluem abundantemente em nós por meio da comunhão com Ele.

Isso significa que Cristo está dizendo que agora não há problema em pecarmos? Ou, como diz São Paulo, “não será Cristo um servidor do pecado?” — “De maneira nenhuma!”, responde o apóstolo a essa pergunta óbvia, pois sabe que o que está dizendo é confuso. O que ele está dizendo é que “eu”, ou cada um de nós, não devemos mais estar empenhados em “construir” nossa própria justificação, por meio de “nossas” obras. Não sou mais “eu” que vivo, mas Cristo que vive em mim, diz o apóstolo.

Cristo me amou e Se entregou por mim, — portanto, “a vida que agora tenho na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus”, que me capacita a agir e a seguir em frente em minha jornada de carregar a cruz, que Ele já trilhou ou atravessou, em Sua Páscoa. Mantenho constantemente o foco e volto a focar em me unir a Ele nesse caminho, por meio de uma constante “metanoia”, ou mudança de pensamento ou foco, sempre que minha mente ou meu corpo se desviam desse foco para medos ou ambições egocêntricos, por meio dos quais “eu” posso tentar fazer o papel de Deus, ou tentar “salvar” ou “justificar” a mim mesmo. Que eu me entregue a Ele hoje um pouco mais e aceite Sua salvação um pouco mais, confiando n’Ele como meu Deus, um pouco mais. Feliz domingo!

Versão brasileira: João Antunes

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