
“Vendo que não tinha passado despercebida, a mulher aproximou-se, a tremer; e, lançando-se aos pés de Jesus, contou diante de todo o povo por que motivo lhe tinha tocado e como ficara imediatamente curada. Disse-lhe Jesus: ‘Filha, a tua fé te salvou. Vai em paz’. Ainda Ele estava a falar, quando alguém da casa do chefe da sinagoga veio dizer: ‘A tua filha morreu; não continues a incomodar o Mestre’.” (Lucas 8,47ss)
Estou refletindo hoje sobre as duas mulheres na leitura do Evangelho que ouvi na igreja ontem, sobre a filha de Jairo, a quem Cristo, “tomando-a pela mão”, ressuscitou dos mortos; e a mulher que sofria um fluxo de sangue havia doze anos, a quem Ele curou depois que ela O tocou. (O texto diz que ela tocou apenas a orla do Seu manto, mas o próprio Cristo disse: “Quem Me tocou?” depois que isso aconteceu, portanto, estou dizendo que ela O tocou.)
A mulher mais jovem era a filha de Jairo, que ajudou a trazer Cristo ao seu leito de morte, onde, por meio de Seu toque (quando Ele a tomou pela mão) e Seu chamado (“Menina, levanta-te!”), ela ressuscitou dos mortos. Mas a mulher com o fluxo de sangue estava sozinha; ela era considerada “impura” e, portanto, intocável, de acordo com as regras de impureza ritual. Portanto, ninguém, inclusive seu pai biológico, a ajudava. É como se ela não fosse filha de ninguém e não fosse importante para ninguém. Ela não tem “nenhum homem”, como a mulher samaritana, e não tem “ninguém” para levá-la à fonte da cura, como o paralítico no tanque de Betesda. Mas ela toma providências por suas próprias mãos; ela vem e toca em Cristo, tendo fé n’Ele, mas não nas regras mencionadas acima.
Depois disso, nosso Senhor a revela publicamente como Sua “filha”. Ele diz: Filha, a tua fé te curou. Acho que é por isso que Ele a expõe; é para que ela saiba que ela também pertence e não precisa se esconder. E para que todos nós saibamos que pertencemos e não precisamos nos esconder, mesmo quando as regras meramente humanas nos expulsam ou nos marginalizam como excluídos. Não nos isolemos de Deus, mas nos aproximemos e O toquemos com fé, por meio de uma oração sincera nesta manhã, como filhas e filhos de um Deus encarnado e tangível. Suas energias divinas ou “graça” nos inundam, sempre que ousamos nos aproximar d’Ele, e nos fortalecem para sairmos do isolamento, como partes valiosas da família humana.
Versão brasileira: João Antunes
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