AMAR UNS AOS OUTROS EM TEMPOS DE CONFLITO

Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos,
se não tiver amor, sou como um bronze que soa
ou um címbalo que retine.
Ainda que eu tenha o dom da profecia
e conheça todos os mistérios e toda a ciência,
ainda que eu tenha tão grande fé que transporte montanhas,
se não tiver amor, nada sou.
Ainda que eu distribua todos os meus bens
e entregue o meu corpo para ser queimado,
se não tiver amor, de nada me aproveita.
(1ª Coríntios 13,1ss)

Nossas palavras, por mais sábias e bem informadas que sejam, tornam-se um ruído vazio se não tivermos amor pela pessoa ou pessoas a quem estamos nos dirigindo. Acho que é por isso que, às vezes, passamos por cima uns dos outros ao discutir questões polêmicas, porque nossa própria “sabedoria” sobre essas questões às vezes se torna mais importante para nós do que as pessoas que estão diante de nós. Por exemplo, talvez eu tenha um coração que se compadece dos “pobres” em geral, ou do sofrimento em Israel ou em Gaza, ou de ambos, — mas se hoje de manhã eu falar sem amor sobre esse assunto com um amigo que discorda de mim, perdendo de vista meu amor por esse amigo, isso “de nada me aproveita”. Sou chamado a amar e cuidar do “meu próximo”, que é, antes de tudo, aquele com quem cruzo no meu dia hoje, em meu tempo e espaço ou em minhas mídias sociais.

Hoje, que eu valorize a pessoa que está ao meu lado, especialmente quando ela discorda de mim sobre este ou aquele assunto. Que eu faça uma pausa e preste atenção àqueles a quem sou chamado a servir em meu entorno mais próximo, não porque eu esteja necessariamente errado nessa ou naquela questão, mas porque meu próximo é um ser humano que precisa de amor, assim como eu. Posso “conhecer todos os mistérios e toda a ciência”, como diz São Paulo, mas de que adianta tudo isso, se eu deixar de demonstrar e promover o amor pelo(s) meu(s) próximo(s)? Que eu prefira “ser correto” a “estar correto”, para que eu também possa testemunhar com mais propriedade, na hora e no lugar certos, a verdade sobre as questões sobre as quais eu possa ter conhecimento. “Bendito sejas, SENHOR! Ensina-me as Tuas leis” (Salmo 119,12).

Versão brasileira: João Antunes

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