
“Disse ainda Jesus aos discípulos: Havia um homem rico, que tinha um administrador; e este foi acusado perante ele de lhe dissipar os bens. Mandou-o chamar e disse-lhe: ‘Que é isto que ouço a teu respeito? Presta contas da tua administração, porque já não podes continuar a administrar’. O administrador disse, então, para consigo: ‘Que farei, pois o meu senhor vai tirar-me a administração? Cavar não posso; de mendigar tenho vergonha. Já sei o que hei-de fazer, para que haja quem me receba em sua casa, quando for despedido da minha administração’. E, chamando cada um dos devedores do seu senhor, perguntou ao primeiro: ‘Quanto deves ao meu senhor?’. Ele respondeu: ‘Cem talhas de azeite’. Retorquiu-lhe: ‘Toma o teu recibo, senta-te depressa e escreve cinquenta’. Perguntou, depois, ao outro: ‘E tu quanto deves?’. Este respondeu: ‘Cem medidas de trigo’. Retorquiu-lhe também: ‘Toma o teu recibo e escreve oitenta’. O senhor elogiou o administrador desonesto, por ter procedido com esperteza. É que os filhos deste mundo são mais sagazes que os filhos da luz, no trato com os seus semelhantes’. E Eu digo-vos: ‘Arranjai amigos com o dinheiro desonesto, para que, quando este faltar, eles vos recebam nas moradas eternas’.” (Lucas 16,1-9)
A Parábola do Administrador Infiel (citada acima) é chocante, porque o administrador é um personagem desonesto, que, no entanto, acaba sendo elogiado por lidar “com esperteza” com o dinheiro de seu mestre. Como e por que devemos imitar esse administrador, um dos “filhos deste mundo”?
1) Precisamos encarar com seriedade, assim como o administrador encarou, o fato de que nosso Mestre nos responsabilizará pela forma como usamos os recursos que Ele nos confiara, inclusive nosso dinheiro, tempo, saúde e aptidões. E 2) Precisamos encontrar maneiras criativas de usar esses recursos para beneficiar outras pessoas, outros “devedores” de nosso Mestre, em vez de acumulá-los ou desperdiçá-los para nós mesmos ou apenas para a “morada” do nosso Mestre.
Neste “tempo de Natal”, quando talvez tenhamos a tentação de comprar coisas de que realmente não precisamos, que eu preste atenção nas coisas que talvez tenha acumulado, como roupas que nunca visto ou pratos e utensílios que não uso. Talvez eu possa organizar um armário e levar as coisas de que não preciso para uma instituição de caridade. Se eu não tiver coisas extras, talvez eu possa ser um pouco mais generoso com meu tempo e fazer questão de telefonar todos os dias para alguém que esteja se sentindo sozinho. E que eu seja um pouco mais gentil hoje com os “outros” que encontro tanto off-line quanto on-line, especialmente aqueles com quem discordo, porque minhas palavras também são um recurso que recebi do meu Mestre. Que eu também seja mais gentil comigo mesmo, cuidando de minha saúde física e espiritual, porque elas também me foram confiadas (e “os filhos deste mundo” também costumam ser melhores nisso). Ajuda-nos, salva-nos, tem piedade de nós e ilumina-nos com Tua sabedoria e graça, ó Deus, ao longo deste tempo!
Versão brasileira: João Antunes
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