
“E a menina atingiu a idade de três anos; e Joaquim disse: ‘Chamai as filhas dos Hebreus, as impolutas; e levantem [cada uma] uma tocha; e que [as tochas] ardendo fiquem posicionadas, para que a menina não se volte para trás e o seu coração fique cativo, longe do templo do Senhor’. E fizeram assim, até que chegaram ao templo do Senhor. E o sacerdote recebeu-a; e, beijando-a, abençoou-a e disse: ‘O Senhor engrandeceu o teu nome entre todas as gerações. Através de ti, até aos dias derradeiros, o Senhor mostrará o Seu resgate aos filhos de Israel’. E sentou-a no terceiro degrau do altar; e o Senhor Deus lançou graça sobre ela. E ela dançou com seus pés; e toda a casa de Israel amou-a. E os pais dela partiram, admirados e louvando o Amo, Deus, porque a menina não voltou para trás.” (Protevangelium Iacobi, 7-8a; tradução ao português a partir do grego pelo Prof. Frederico Lourenço)
Hoje, meus amigos, quando aqueles que seguem o Calendário Juliano Revisado celebram A Entrada da Santíssima Theotokos no Templo (também conhecida como a Apresentação de Maria), estou examinando o texto apócrifo, no qual essa festa se baseia. Deixando de lado as questões dos textos “apócrifos” e a veracidade histórica desse evento específico na vida tradicional da Theotokos, amo o fato de que essa festa me dá uma ocasião para celebrar minha entrada e dedicação à “casa” de Deus. Celebramos a entrada e a dedicação dela à casa de Deus como um ícone ou modelo para cada um de nós, membros da Igreja, porque a Mãe de Deus é tradicionalmente vista como uma imagem da “Mãe” Igreja.
Como ela entrou? 1. Ela era uma criança pequena e foi trazida por outras pessoas. O nome eslavo para essa festa, Vvedenie, que significa “a entrada” no templo, acentua esse aspecto; 2. Ela não se voltou para trás; e 3. Ela dançou. Quanto a mim, eu faço muitas entradas na “casa” de Deus, tanto física quanto espiritualmente. Minha mente e meu corpo podem ocasionalmente ir para longe do “lugar” de Deus, que está em toda parte, quando tenho olhos para ver isso. É por meio de outras pessoas que sou reconduzida, tanto pelas intercessões dos já falecidos quanto pelas boas vozes em nosso meio aqui, — quando me permito ser dócil, como uma criança pequena. Não sei o que dizer sobre a parte da dança, porque não sou uma grande dançarina, como tenho certeza de que vocês ficarão desapontados ao saber, meus amigos. 🙂 Mas posso dizer que cada vez que volto, cada (re)entrada na “casa” de Deus é uma grande alegria e conforto diários, que podem ser descritos como uma dança do coração. Hoje, vou me permitir ser reconduzida à casa de Deus, pelas intercessões da Santíssima Theotokos e de todos vocês. Santíssima Mãe de Deus, salva-nos!
Versão brasileira: João Antunes
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