QUARTA-FEIRA, O QUARTO DIA

Deus disse: ‘Haja luzeiros no firmamento dos céus, para separar o dia da noite e servirem de sinais, determinando as estações, os dias e os anos; servirão também de luzeiros no firmamento dos céus, para iluminarem a Terra’. E assim aconteceu. Deus fez dois grandes luzeiros: o maior para presidir ao dia, e o menor para presidir à noite; fez também as estrelas. Deus colocou-os no firmamento dos céus para iluminarem a Terra, para presidirem ao dia e à noite, e para separarem a luz das trevas. E Deus viu que isto era bom. Assim, surgiu a tarde e, em seguida, a manhã: foi o quarto dia.” (Gênesis 1,14-19)

A quarta-feira, chamada de O Quarto Dia em hebraico e em grego (Yom revi’i, Tetarti), está exatamente no centro da semana de sete dias, com três dias antes e três dias depois. Em nossa tradição eclesiástica, às quartas-feiras celebramos os mistérios centrais do Cristianismo: a Cruz e a Theotokos (como aquela que está ao lado da Cruz). Também celebramos o Quarto Dia da criação, quando Deus dá forma ao tempo, colocando em movimento, em movimento ordenado e previsível, os corpos celestes. Ele também ordena a luz por meio desses corpos celestes, para “servirem de sinais, determinando as estações, os dias e os anos”, ou seja, para que possamos ler esses sinais ou entender as coisas aqui na Terra, com a ajuda da luz e de seus ritmos previsíveis e confiáveis.

Fazemos uma pausa no meio da semana, jejuando às quartas-feiras, para nos concentrarmos ainda mais nesses mistérios, ligados à Encarnação; às maneiras pelas quais Deus forma o tempo e Se insere nele, recordando-nos de que “é bom”. O tempo é bom, e não deve ser temido ou desperdiçado. Nosso modo de avançar no tempo é por meio da luz e da leveza da Cruz, que ousamos assumir ao enfrentarmos nossas responsabilidades (em vez de fugirmos delas), porque o Filho Unigênito de Deus fez isso, mesmo quando Sua Mãe ficou parada e chorou em silêncio, porque era apenas humana. Esse foi um “sinal” que ela não compreendeu na época, quando “desde o meio-dia até às três horas da tarde, as trevas envolveram toda a terra” (Mateus 27,45), mas ela logo compreenderia à luz da Ressurreição.

Assim, nós também, como membros da Mãe-Igreja, permanecemos em um silêncio angustiado quando enfrentamos tempos sombrios e não sabemos o que o futuro nos reserva. Mas tenhamos coragem, porque há Alguém no meio de nós Que está sempre vindo ao nosso tempo. Ele está revelando Sua luz para nós, ou melhor, Suas luzes para nós, especialmente em tempos sombrios, assim como as estrelas se tornam mais visíveis nas noites mais escuras. “Não Me lamentes, ó Mãe”, diz Ele a todos nós desde a Cruz nas palavras de um conhecido hino bizantino, “pois Eu me levantarei e serei glorificado…”. Estejamos de pé e prestemos atenção a dois sinais: 1. “o sinal de Jonas” (Mateus 16,4), revelado a nós aqui na terra e encarnado, inesperadamente a partir de um sepulcro escuro. E 2. à medida que prosseguimos com este Jejum da Natividade, foquemos na Estrela que nos conduz a Belém, onde Ele nos é revelado aqui na terra e encarnado, inesperadamente, a partir de uma gruta escura. Pelas orações da Santa Mãe de Deus, ó Salvador, salva-nos!

Versão brasileira: João Antunes

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