
“SENHOR, eu ouvi a tua mensagem; vi, SENHOR, a tua obra. Fá-la reviver no nosso tempo, no nosso tempo manifesta-a; na ira, lembra-te da misericórdia. DEUS vem de Teman, e o Santo, do monte Paran…” (Habacuque 3,2s)
Hoje, meus amigos, aqueles que seguem o Calendário Juliano Revisado celebram o profeta citado acima, Habacuque/Habacuc; e aqueles que seguem o Calendário Juliano Tradicional celebram outro dos Profetas Menores, Abdias; mas, independente do calendário, continuamos nossa jornada através do Jejum da Natividade; e as tradições cristãs ocidentais se aproximam do primeiro domingo do Advento. Tudo isso faz parte de nossa preparação para a chegada da festa da Natividade do Senhor. Como e por que devemos estar preparados para o Natal? Decidi refletir sobre os propósitos dessa época (de jejum) pré-natalina, para que minha própria jornada através dela tenha um significado mais consciente.
1. THEOPTIA. A primeira coisa que as tradições da nossa Igreja estão nos ensinando a trabalhar neste momento é a nossa visão. Mais especificamente, nossa capacidade de “Theoptia“, que significa “ver Deus”. Para contemplar ou “ver Deus” nascendo para nós em Belém, meu coração, minha mente e meu corpo precisam de uma pequena faxina. “Felizes os puros de coração, porque verão a Deus”. A disciplina do jejum, incluindo um pouco mais de dedicação e cuidado terno e amoroso com minha saúde espiritual e física, ajuda-me a me focar novamente na presença de um Deus terno, amoroso e atencioso em minha vida. 2. DESPERTAR. Estou sendo despertado da indiferença e da complacência em relação ao Advento ou à vinda de Cristo ao meu mundo, que pode ter se instalado em meu coração em meio às preocupações e aos medos que se alojam no coração quando perco o foco, perco a confiança em Deus e me torno autossuficiente e egocêntrico. Esse despertar espiritual para Deus, para o próximo e para mim mesmo é obtido por meio de 3. FOME E SEDE de um tipo saudável. O tipo de fome e sede que os Santos Profetas tinham, pela vinda do Messias, é algo que eu resgato quando os celebramos e nos imergimos em suas profecias nesta época. Eu me afasto de desejos e ambições não saudáveis, sejam eles físicos ou espirituais, que me contaminam com a doença do “mais”: eles sempre exigem “mais” e nunca estão satisfeitos. Neste período, quero me juntar àqueles que estão satisfeitos: “Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados”. 4. ALEGRIA E PAZ. Por fim, o pouco de “trabalho” diário e constante em minha saúde espiritual e física neste período me possibilita experimentar a verdadeira alegria e paz, que vêm para todos nós de um lugar inesperado e humilde, uma pequena gruta em Belém.
A alegria exige trabalho. A paz dá trabalho. E, no que me diz respeito, elas começam em minha própria “gruta”. Que eu me dedique a esse trabalho dignificante hoje, enquanto limpo a casa, para que eu possa ver mais claramente a luz abundante que se derrama sobre todos nós dos lugares mais inesperados.
Versão brasileira: João Antunes
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