LIBERTADOS DA FOME MORTAL

Em seu ventre, Ó imaculada Theotokos,
contemplamos uma rica eira.
Você carrega a Espiga de Grão que cresceu sem ser semeada;
Seu filho é a Palavra eterna:
De maneira maravilhosa, você dará à luz a Ele na gruta em Belém,
Ele alimentará com amor todas as criaturas com o conhecimento de Deus,
libertando a raça humana da fome mortal [que mata a alma] (λιμοῦ ψυχοφθόρου, от глада/голода душетленнаго)” (Hino das Vésperas, 21 de dezembro, 2º dia da Pré-festa da Natividade)

Hoje reflitamos sobre a parte final desse hino pré-Natividade, meus amigos (veja a Parte 1 publicada ontem, caso não tenha visto), que fala sobre uma questão muito prática: nosso tipo de “fome” mal direcionada — o tipo que nunca satisfaz, mas que acaba matando nossa fome saudável de comunhão com Deus e uns com os outros. Quando permitimos que nossa “fome” espiritual seja mal direcionada, como fizeram Adão e Eva no jardim, deixamos de evoluir da maneira que Deus queria que evoluíssemos, em harmonia com Ele, uns com os outros e com toda a criação. Quando tentamos preencher esse vazio em nosso coração com substitutos de Deus, como o consumismo, o comer e/ou beber de forma não saudável, a sexualidade não saudável, o entretenimento sem conteúdo, o desejo de poder ou outros interesses não saudáveis, como a vitimização, os ressentimentos, a inveja etc., acabamos correndo atrás do próprio rabo, pois nos afastamos da Fonte da Vida e do Conhecimento. Ficamos insatisfeitos e constrangidos em nossa identidade, como Adão e Eva, e, como eles, começamos a nos isolar e a nos esconder de Deus e uns dos outros. Veja toda a história das folhas de figueira e do se esconder por entre o arvoredo do jardim em Gênesis 3, se você não sabe do que estou falando.

O Filho de Deus está vindo ao nosso mundo, encarnado, a fim de oferecer-Se a nós, como nosso alimento, nossa nova “identidade” e como nosso novo Caminho a ser seguido. Como o hino citado acima nos recorda, “Ele alimentará com amor todas as criaturas com o conhecimento de Deus, libertando a raça humana da fome mortal [que mata a alma]”. Com amor, Ele nos oferece Sua própria “identidade” como nossa nova vestimenta, para que nós, imersos ou batizados n’Ele, possamos nos revestir d’Ele. Não precisamos mais ficar insatisfeitos ou constrangidos em nossa própria identidade, nem correr atrás do próprio rabo! Neste Jejum da Natividade, ou Advento, que eu me permita ser conduzido a “Beth-le-hem” (que significa “Casa do Pão”), enquanto (re)direciono minha “fome” dada por Deus para Ele, que vem para me libertar da escravidão dos círculos egocêntricos.

Versão brasileira: João Antunes

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