
“Os sumos sacerdotes acusavam-no de muitas coisas. Pilatos interrogou-o de novo, dizendo: ‘Não respondes nada? Vê de quantas coisas és acusado!’. Mas Jesus nada mais respondeu, de modo que Pilatos estava estupefato. Ora, em cada festa, Pilatos costumava soltar-lhes um preso que eles pedissem. Havia um, chamado Barrabás, preso com os insurretos que tinham cometido um assassínio durante a revolta. A multidão chegou e começou a pedir-lhe o que ele costumava conceder. Pilatos, respondendo, disse: ‘Quereis que vos solte o rei dos judeus?’. Porque sabia que era por inveja (διὰ φθόνον) que os sumos sacerdotes o tinham entregado. Os sumos sacerdotes, porém, instigaram a multidão a pedir que lhes soltasse, de preferência, Barrabás.” (Marcos 15,3-11)
Há algum tempo, refleti sobre a “inveja” (do latim “invidia”, ou seja, “não vista”), uma cegueira que ocorre pelo desejo de ter o que outra pessoa tem ou ser o que a outra pessoa é. Mas agora aqui está ela, mais uma vez. Os sumos sacerdotes disfarçaram sua inveja, acusando Cristo “de muitas coisas”. Cristo não responde a essas acusações, porque são pura fachada.
A inveja tende a esconder, a mascarar, sua cara feia, e é por isso que às vezes é difícil de ser vista, de ser detectada, tanto pelo invejado quanto pelo invejoso. Ela pode estar mascarada em uma ideologia política ou em justa indignação, como é o caso aqui, no caso dos sumos sacerdotes, que fingem estar protegendo tradições e estruturas antigas. Por outro lado, pode ser mascarada em bajulação e até mesmo em paixão, tentando se aproximar do invejado e, assim, alcançar o que ele tem “por associação”. Essa pode ser a essência de perseguir celebridades e depois se deliciar silenciosamente com sua “queda” em algum escândalo.
Hoje, vou me conectar com Deus por meio de uma oração de gratidão, pelo menos um pouco, e também dedicar um tempo para um autoexame, à luz d’Ele. Porque Sua graça, Suas energias divinas, me dão a capacidade de ver a mim mesmo e ao próximo como Ele nos vê; não em competição uns com os outros, mas como pessoas únicas com jornadas únicas, cada uma com seus próprios desafios e suas próprias bênçãos. “Seja feita a Tua vontade”, digo hoje, comigo e com o próximo, em nossas jornadas carregando a cruz.
Versão brasileira: João Antunes
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