
“Por onde começarei o lamento que vou fazer, para chorar as obras todas de meu penoso viver? Que primícias Te darei, desta presente elegia? Concede-me Tu, ó Cristo, por Teu amor entranhado, o perdão de meu pecado!” (Grande Cânone Penitencial de Santo André de Creta)
Por que o primeiro dia da Quaresma é chamado de “Segunda-feira Limpa”? Porque no dia anterior, no Domingo do Perdão, limpamo-nos de todos os ressentimentos e rancores, deixando de lado o fardo de quaisquer máscaras ou autojustificativas. Agora nos aproximamos de Deus sem nada, assim como o coletor de impostos com seu nada, para que possamos chorar livremente e catarticamente diante de Sua misericórdia: “Deus, tem piedade de mim, que sou pecador!”.
As perguntas feitas logo no início do Grande Cânone, entoado na Segunda-Feira Santa em nossas Igrejas e citadas acima, “Por onde começarei o lamento…?” me fazem pensar em duas outras perguntas que o Senhor ressuscitado fez a Maria Madalena do lado de fora de Seu túmulo: “Mulher, por que choras?” e “Quem procuras?”. Essas são perguntas muito úteis, as perguntas certas, quando nos envolvemos com o “lamento” da Quaresma e redescobrimos as verdadeiras razões para o vazio em nosso coração. Minha distância de Ti, Senhor, é a razão de eu estar chorando; e é a Ti, e não a qualquer outra pessoa ou coisa, que eu procuro! Por favor, guia-nos nesse caminho quaresmal repleto de luz, concentrando-nos novamente em nosso choro e em nossa busca, em Ti e em direção a Ti. Ajuda-nos, salva-nos, tem piedade de nós e conserva-nos, ó Deus, pela Tua graça.
Versão brasileira: João Antunes
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