
“Jacó saiu de Bercheba e tomou o caminho de Haran. Chegou a determinado sítio e resolveu ali passar a noite, porque o sol já se tinha posto. Serviu-se de uma das pedras do lugar como travesseiro e deitou-se. Teve um sonho: viu uma escada apoiada na terra, cuja extremidade tocava o céu; e, ao longo desta escada, subiam e desciam mensageiros de Deus. Por cima dela estava o SENHOR, que lhe disse: ‘Eu sou o SENHOR, o Deus de Abraão, teu pai, e o Deus de Isaac. Esta terra, na qual te deitaste, dar-ta-ei, assim como à tua posteridade…’.” (Gênesis 28,10-13)
A narrativa em Gênesis 28 sobre a “escada de Jacó” é uma de nossas leituras para as festas em honra à Mãe de Deus. Por que essa leitura, especificamente nas festas da Theotokos? Porque a Igreja tradicionalmente “reconhece” a Theotokos na “escada” que liga a terra ao céu, revelada a Jacó em um sonho. O Deus de Abraão, Isaac e Jacó é o mesmo Deus que escolhe entre seus muitos descendentes e revela a todos nós, não em um sonho, mas na carne, uma pobre moça judia de Nazaré, sem máquina de lavar roupas, para ser a Mãe de Seu Filho.
Ao louvarmos a Bendita entre as Mulheres como a sublime “escada celestial” e a “porta do céu”, também ressaltamos que a Santíssima Virgem foi uma escada “apoiada na terra”, com os pés firmemente plantados no chão, percorrendo a jornada carregando a cruz. Suas muitas tristezas e provações nessa jornada, começando no templo de Jerusalém, onde a pequena Maria foi levada por Joaquim e Ana aos três anos de idade; e as provações posteriores durante a gravidez impossível de ser explicada na casa de José, e todo o demais, para o qual ela disse “faça-se” (Lucas 1,38): em Belém, depois no Egito, depois em Nazaré e, finalmente, aos pés da cruz de seu Filho em meio a uma multidão hostil, — todo esse sofrimento suportado pela Theotokos me explica por que os fiéis, ao longo dos tempos, a consideraram muito próxima ou receptiva, especialmente em tempos difíceis.
Graças vos dou, Mãe de Deus, por ser nossa mãe nos momentos de dificuldade. E por proferir palavras de sabedoria: Faça-se, que assim seja.
Versão brasileira: João Antunes
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