QUANDO PRECISAMOS PARAR DE CONSTRUIR

Em toda a Terra, havia somente uma língua, e empregavam-se as mesmas palavras… Depois disseram: ‘Vamos construir uma cidade e uma torre, cujo cimo atinja os céus. Assim, havemos de tornar-nos famosos para evitar que nos dispersemos por toda a superfície da Terra’. O SENHOR, porém, desceu, a fim de ver a cidade e a torre que os homens estavam a edificar. E o SENHOR disse: ‘Eles constituem apenas um povo e falam uma única língua. Se principiaram desta maneira, coisa nenhuma os impedirá, de futuro, de realizarem todos os seus projetos. Vamos, pois, descer e confundir de tal modo a linguagem deles que não consigam compreender-se uns aos outros’. E o SENHOR dispersou-os dali por toda a superfície da Terra, e suspenderam a construção da cidade. Por isso, lhe foi dado o nome de Babel, visto ter sido lá que o SENHOR confundiu a linguagem de todos os habitantes da Terra, e foi também dali que o SENHOR os dispersou por toda a Terra.” (Gênesis 11,1.4-9)

A história da Torre de Babel, lida ontem em nossas Igrejas, nos recorda que, às vezes, precisamos parar de construir. Embora devamos ser frutíferos e estar sempre “edificando” tanto nossa “casa” pessoal (no sentido de nosso crescimento espiritual e nos vários sentidos que nos são dados no desenvolvimento de nossas vocações pessoais) quanto nosso bem-estar comunitário como sociedade, devemos fazer isso não sem Deus e Sua vontade, mas em sintonia com Ele e Sua graça, para a maior glória de Seu “nome”. No caso da Torre de Babel, as pessoas se propuseram a construir sua torre e cidade com dois fins que estavam fora de Deus: 1. Como eles dizem, “tornarem-se famosos”, ou seja, fazerem um nome para si mesmos, terem distinção e uma reputação ou “glória” própria; e 2. Tornarem esse “nome” deles, essa distinção, que significava poder, o fator unificador e a “torre” ou farol que os uniria, “para evitar que se dispersassem por toda a superfície da Terra”. E isso eles pretendiam fazer, apesar do fato de Deus ter ordenado, após o dilúvio, que Noé e seus descendentes fossem fecundos e se multiplicassem, e “enchessem” toda a terra (Gênesis 9,1). Deus interrompe esse projeto de construção, porque é o início da construção de um império, quando uma determinada entidade política quer submeter ao seu próprio “nome” a vida de todos os que podem “se dispersar” e fazer o que bem entendem. Na verdade, foi a construção de uma prisão.

Em nossa vida, também podemos correr o risco de “construir” nossa própria prisão. Fazemos isso quando colocamos alguma ideia, coisa ou pessoa no lugar de Deus. Isso acontece no caso de vícios, obsessões, codependências ou, em um nível comunitário, de várias ideologias. O último caso é o que estamos observando em minha Igreja Ortodoxa Russa, que erigiu a ideologia herética do “Mundo Russo” como o fator unificador e o “sentido da vida” (em vez de a Igreja ser o Mistério da Unidade, de acordo com a fé cristã Ortodoxa) a fim de promover a construção do império e a “glória” ou o “nome” do regime ao qual serve.

O que preciso fazer se estiver construindo, ou ajudando a construir, minha própria prisão? Posso abrir a fechadura pelo lado de dentro, tomando as atitudes certas, buscando a ajuda de que preciso (no caso de vícios ativos) e acolhendo a verdadeira “glória” ou “orto/doxia” que é a comunhão com Deus, cujo “nome” é o que precisa ser “santificado” em minha vida. Que Deus Se levante e Seus inimigos sejam dispersos!

Versão brasileira: João Antunes

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