Zósimo lhe perguntou: “Quantos anos se passaram desde que começaste a viver neste deserto?”. Ela (Maria do Egito) respondeu: “Acho que já se passaram quarenta e sete anos desde que deixei a cidade santa”. (A Vida de Santa Maria do Egito)
Acho que os “quarenta e sete anos” da permanência de Santa Maria do Egito no deserto refletem o simbolismo dos 40 + 7 dias de jejum que precedem a Páscoa. Ou seja, os 40 dias da Quaresma mais a Semana Santa. Toda a estrutura do “êxodo” de Santa Maria para o deserto e do nosso “êxodo” para o “deserto” quaresmal engloba nossa jornada carregando a cruz ao longo da vida, desde o momento em que decidimos tomar nossa cruz e seguir a Cristo, até o “repouso” no qual entramos, com Cristo, no Sábado Santo (quando Ele “repousa” no Túmulo), e por meio do qual passamos a participar da nova vida e da luz da Ressurreição.
A conversão de Santa Maria começa com uma tentativa fracassada de venerar a Cruz na igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém. Mas um apelo à Mãe de Deus ajuda Maria a entrar na igreja e a venerar a Cruz, após o que ela ouve uma voz do alto: “Se atravessares o Jordão, encontrarás um feliz repouso”. (Você pode clicar aqui caso ainda não tenha lido “A Vida de Santa Maria do Egito, por São Sofrônio”, ou pode ouvir a leitura hoje à noite em uma igreja Ortodoxa perto de você). Nós também entramos na igreja e passamos a “venerar a cruz” por meio de nosso carregar diário da cruz, mas não sem a ajuda do próximo. A ajuda do “próximo” na Mãe Igreja, simbolizada na história de Santa Maria pela ajuda da Mãe de Deus, é vital para nós. Mas é sempre nossa decisão e responsabilidade colocar um pé na frente do outro, “atravessar o Jordão” (simbolizando o Batismo) e atravessar nosso próprio deserto, domando as feras de nossos maus hábitos pela graça de nosso amoroso Deus. É um tipo de “obra” dignificante e importante, bem como uma aventura, essa disciplina diária de permitir que Deus faça parte de nosso “deserto”, onde nossa pegada humana gradualmente se torna uma coisa boa, à medida que nossa voz se torna “uma voz que clama no deserto” de nosso mundo caótico. Pelas orações de nossa venerável mãe, Maria do Egito, e de Vossa Mãe Puríssima, ó Salvador, salva-nos!
Versão brasileira: João Antunes
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