NÃO TEMAS, FILHA

No dia seguinte, as multidões que tinham chegado para a Festa, ao ouvirem que Jesus vinha a Jerusalém, pegaram em ramos de palmeiras e saíram-lhe ao encontro, clamando: ‘Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel!’. E Jesus encontrou um jumentinho e montou nele, conforme está escrito:
Não temas (Μὴ φοβοῦ), Filha de Sião,
olha o teu Rei que chega
sentado na cria de uma jumenta.
Ao princípio, os seus discípulos não compreenderam isto; quando se manifestou a glória de Jesus, é que se lembraram que estas coisas estavam escritas acerca dele; e foi isso precisamente o que lhe fizeram.” (João 12,12-16)

Aqui está o texto completo da profecia de Zacarias, escrita cerca de cinco séculos e meio antes da entrada de Nosso Senhor em Jerusalém, e citada pelo Evangelista João acima:
Exulta de alegria (Χαῖρε σφόδρα), filha de Sião!
Solta gritos de júbilo, filha de Jerusalém!
Eis que o teu rei vem a ti;
Ele é justo e vitorioso;
vem, humilde, montado num jumento,
sobre um jumentinho, filho de uma jumenta” (Zacarias 9,9).

Quem é a “filha” de Sião/ Jerusalém? Neste momento da história, somos todos nós, como Igreja, como a “filha” de Jerusalém, a cidade na qual Deus escolheu nos “recriar” na Vida Nova trazida a nós em Seu Filho ressurreto. O Evangelista João “lembra” as palavras do Profeta Zacarias como “Não temas”, em vez de “Exulta de alegria” e “solta gritos de júbilo”, talvez por ter testemunhado o medo de seus companheiros mais velhos, os Apóstolos, quando eles se dispersaram enquanto seu humilde Rei era levado à Cruz. Como ele assinala aqui, eles “ao princípio, eles não compreenderam isto” — o que havia sido escrito pelo Profeta Zacarias sobre soltar gritos nessa ocasião, provavelmente porque sentiram medo e não alegria, como aconteceu.

Nós também podemos ter medo de segui-l’O no caminho que Ele está nos conduzindo. Mas que todos nós “não temamos” e sim “nos alegremos” hoje, ao “contemplarmos” nosso humilde Rei “vindo” até nós, quer já estejamos celebrando a “saída” de Cristo do sepulcro ou Sua “entrada” em Jerusalém. Ele entra e sai de nossa escuridão como deseja, por nós, para que também possamos “entrar” e “sair” da escuridão de nossa existência à Sua maneira; não com medo, mas com fé, na Vida Nova que recebemos n’Ele e com Ele. Hoje troco o medo pela fé, ou melhor, pela alegria, porque posso; porque também sou um/a amado/a “filho/a de Jerusalém”. Glória, Senhor, à Tua honorável Cruz e Ressurreição!

Versão brasileira: João Antunes

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