
“E o Verbo se fez carne,
e habitou entre nós,
e vimos a sua glória,
como a glória do unigênito do Pai,
cheio de graça e de verdade.”
(João 1,14)
São João, que “trovejou” essas célebres palavras há cerca de dois milênios, era um homem “sem letras e indouto“, conforme aprendemos no Livro de Atos, sobre João e Pedro diante da elite religiosa de seu tempo, o Sinédrio: “… então eles, vendo a ousadia de Pedro e João, e informados de que eram homens sem letras e indoutos (ἀγράμματοί εἰσιν, καὶ ἰδιῶται), maravilharam-se e reconheceram que eles haviam estado com Jesus” (Atos 4,13). De fato, a única maneira de explicar o testemunho “extraordinário” desses homens “indoutos” era pelo fato de “eles haverem estado com Jesus”. Eles haviam “visto a Sua glória” cheia “de graça e de verdade”, e agora Sua graça e verdade emanavam, ou melhor, trovejavam, no mundo ao redor deles. Observemos que a palavra grega “ἰδιώτης” (não significando idiota), que é traduzida aqui para o português (na ACF) como “indouto” (simples, sem erudição, não instruído), era usada por autores gregos antigos como o equivalente ao nosso termo “leigo”, como em “alguém que não tem conhecimento profissional”. É muito gratificante contemplar o fato de que, aos olhos das autoridades religiosas de sua época, os Santos Apóstolos eram vistos como “leigos”.
E nós também somos, por mais “sem letras” ou “leigos” que sejamos, mas como membros de uma Igreja “Apostólica”, convidados a receber e transmitir essa energia extraordinária, cheia “de graça e de verdade”. Porque “o Verbo Se fez carne” e continua a “habitar entre nós”, enquanto nos preparamos para a festa de Pentecostes que se aproxima [Calendário Juliano Tradicional] e abrimos nossos corações ao Seu Espírito. Pelas orações de Teus Santos Apóstolos, ó Salvador, salva-nos!
Versão brasileira: João Antunes
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